- O INPI concede certificações de Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO), para produtores organizados em associações ou cooperativas que seguem padrões de qualidade e rastreabilidade.
- Estudos da Comissão Europeia indicam que produtos com esse tipo de certificação costumam ter valor de mercado, em média, duas vezes maior do que produtos não certificados.
- Ginseng de Querência do Norte, no noroeste do Paraná, é certificado pelo INPI. São 16 famílias envolvidas, com produção anual de 300 toneladas e exportação para França, China e Japão.
- Couro de peixe de Pontal do Paraná recebeu a chancela do INPI, beneficiando cerca de 30 famílias; o destaque fica para o couro de tilápia, produzido com taninos vegetais.
- Queijo colonial do Sudoeste é produzido em quarenta e dois municípios, em uma região que reúne cerca de vinte mil produtores e uma produção de aproximadamente um bilhão de litros por ano.
- Bala de banana de Antonina ganhou certificação, impulsionando negócios locais com receitas derivadas, como caldas e farofas, aumentando faturamento de empreendimentos regionais.
O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concede certificações de produtos locais em duas modalidades: Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO). IP está ligada à fama histórica da região; DO decorre de características naturais do terroir, como solo e clima.
Para obter o registro, produtores organizados em associações ou cooperativas devem seguir padrões rígidos de qualidade, manejo sustentável e rastreabilidade. Estudos indicam que itens com certificação superam, em média, o valor de mercado de similares não certificados.
O impacto econômico vai além da produção: o turismo e a gastronomia são fortalecidos, segundo a gerente de IGs do Sebrae Paraná. O selo atrai visitantes que assimilam o produto, o comércio local e a infraestrutura de serviços.
Ginseng de Querência do Norte
Agricultores do noroeste paranaense obtiveram a certificação para o ginseng local (Pfaffia glomerata). Cultivado por 16 famílias em ilhas e várzeas do Rio Paraná, envolve indireta de 30 famílias na cadeia de plantio, colheita e transporte.
A produção anual é de cerca de 300 toneladas, adaptada ao solo úmido da região. O produto é exportado para França, China e Japão, para uso em medicamentos, suplementos e cosméticos. A associação local aponta melhoria de visibilidade.
A Aspag ressalta que o ginseng enfrentava entraves no mercado, com práticas de mistura de produtos. A certificação geográfica reforça a autenticidade e o reconhecimento do produto de verdade.
Couro de peixe do litoral
O couro de peixe de Pontal do Paraná recebeu a certificação recentemente. A atividade envolve cerca de 30 famílias e utiliza diversas espécies marinhas, com destaque para a tilápia.
O material é transformado em bolsas, colares e itens de artesanato. O curtimento usa taninos vegetais, como urucum e cúrcuma, evitando químicos agressivos. A associação afirma que o processo não agride o meio ambiente nem a saúde.
Queijo colonial do Sudoeste
Produzido em 42 municípios, o queijo colonial do Sudoeste segue receitas trazidas por imigrantes europeus. A região concentra cerca de 20 mil produtores, com volume anual próximo de 1 bilhão de litros de leite, segundo o Deral.
A produção, antes atividade secundária, passou a sustentar famílias inteiras. O selo elevou as vendas e agregou valor ao produto, descrito como suave e amanteigado, com demanda inclusive como presente.
Farofa com Bala de Banana
A bala de banana de Antonina, alvo de certificação, impulsionou novos negócios na região. A cozinheira Karla Manfredini, que se mudou de Curitiba, integrou receitas como caldas e farofas artesanais.
O faturamento de 2023 foi de cerca de R$ 20 mil, com previsão de chegar a R$ 100 mil neste ano, devido a vendas para estados como São Paulo e Santa Catarina. A certificação é apontada como fator de fortalecimento para o comércio local.
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