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EUA estão abertos à capital do Brasil, diz cônsul Kevin Murakami

Cônsul dos Estados Unidos afirma que portas para capital brasileiro estão abertas; analistas seguem atentos a tarifas e impactos nas cadeias de suprimento

O Seminário Econômico LIDE EUA
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  • O Seminário Econômico LIDE EUA-Brasil ocorreu nesta terça-feira, 9, em São Paulo, com a presença do Cônsul-geral dos Estados Unidos, Kevin Murakami.
  • Murakami destacou que as portas dos EUA estão abertas ao capital brasileiro e que a gestão americana valoriza o investimento estrangeiro, em um momento de maior cooperação entre os dois países.
  • O debate academicamente destacou preocupações com tarifas, projetando cenários em que a taxa média aplicada aos EUA poderia subir e impactar cadeias produtivas brasileiras; especialistas apontaram riscos de retaliação e escalada tarifária.
  • O tema Pix e a visão dos setores produtivos foi discutido por Henrique Meirelles, que argumentou sobre a competição entre o sistema brasileiro de pagamentos e o setor privado nos Estados Unidos, ressaltando impactos regulatórios.
  • Integraram o painel representantes do setor privado, como Fábio Coelho, da Google Brasil, e Silvia Penna, da Uber Brasil, que mostraram como inovação e investimentos em tecnologia fortalecem mercados interdependentes entre Brasil e EUA.

O Seminário Econômico LIDE EUA-Brasil, realizado nesta terça-feira (9) na Casa LIDE, em São Paulo, reuniu autoridades e representantes do setor privado para discutir a relação econômica entre Brasil e Estados Unidos em um cenário de proteção tarifária. O evento ocorreu em meio a juros elevados no Brasil e a tensões comerciais a partir da política americana.

O cônsul-geral dos EUA em São Paulo, Kevin Murakami, sinalizou que as relações financeiras entre os dois países passam por uma instrumentalização mais pragmática e que o ambiente está aberto a investimentos brasileiros no exterior. Murakami destacou que o fluxo de capital entre as duas economias vem crescendo e que novas oportunidades vêm sendo exploradas.

O ex-governador de São Paulo, João Doria, abriu o encontro defendendo uma diplomacia de negócios voltada a oportunidades concretas. Murakami reiterou, em balanço do painel, que as portas dos EUA estão mais abertas para o capital brasileiro do que nunca, reforçando uma visão de receptividade aos investimentos diretos de ambos os lados.

A sessão de especialistas avaliou impactos de tarifas, com alerta de risco de elevação tarifária nos EUA e de possíveis efeitos sobre cadeias globais de produção. Ana Madeira, do Morgan Stanley, mencionou que a escalada de tarifas pode prejudicar o comércio e interromper fluxos produtivos.

Cassiana Fernandez, do JPMorgan, apontou que a tarifa média dos EUA pode subir de 11% para cerca de 19% em cenários de maior proteção. Ela ressaltou que retaliações tarifárias costumam ampliar impactos setoriais, afetando principalmente cadeias com forte participação externa.

Entre temas setoriais, Henrique Meirelles discursou sobre o Pix e questões regulatórias, destacando a natureza pública do sistema de pagamentos brasileiro e a percepção de competição desigual por parte de empresas norte-americanas. O alto escalão financeiro trouxe à tona divergências regulatórias entre os modelos de negócios.

No campo da inovação e da produção, executivos de tecnologia ressaltaram a influência de investimentos norte-americanos no mercado brasileiro. Fábio Coelho, da Google Brasil, citou o uso de dados para aumentar a eficiência de exportadores nacionais. Silvia Penna, da Uber Brasil, indicou que serviços de mobilidade dependem de capital e inovação originados no Vale do Silício.

Demais representantes do setor produtivo destacaram avanços na agroindústria e em marcas com atuação global, enfatizando a necessidade de manter ambientes estáveis para a produção brasileira. O encerramento do fórum enfatizou a importância de manter negociações equilibradas para proteger atividades na ponta do agronegócio.

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