- A Ministério Público do Rio Grande do Sul deflagrou a Operação Boi Fantasma, terceira fase da Convergência Nacional RS, para combater lavagem de dinheiro do tráfico por meio de simulação de comércio de bovinos na Fronteira Oeste.
- Foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão e oito mandados de prisão preventiva, com ações no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina; houve bloqueio de R$ 100,7 milhões, além do sequestro de 15 veículos e de um imóvel.
- Cerca de 30 pessoas são investigadas; o grupo usava propriedades rurais arrendadas em Alegrete para simular atividades pecuárias, com notas fiscais e Guias de Trânsito Animal emitidas para gado que não existia, conforme drones demonstraram.
- O núcleo principal movimentou cerca de R$ 24,8 milhões nos últimos dois anos; parte do dinheiro seria direcionada a empresas e plataformas de apostas para dificultar o rastreamento.
- O líder da organização será transferido para o Módulo de Segurança Máxima da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas; a operação é coordenada pelo Gaeco com apoio da Brigada Militar, Polícia Penal e Ministério Público de Santa Catarina.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul deflagrou na manhã desta terça-feira a Operação Boi Fantasma, terceira fase da Convergência Nacional RS. A ação mira uma organização criminosa suspeita de lavar recursos do tráfico por meio da simulação de comércio de bovinos na Fronteira Oeste do estado.
Ao todo, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão e oito de prisão preventiva, em cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Também houve bloqueio de R$ 100,7 milhões, sequestro de 15 veículos e de um imóvel. Cerca de 30 pessoas são investigadas.
As investigações, que duram 10 meses, apontam que propriedades rurais arrendadas em Alegrete eram usadas para simular atividades pecuárias. Notas fiscais e GTAs eram emitidas para registrar negociações de gado que, na prática, não existiam.
Monitoramentos, incluindo drones, constataram a ausência de rebanhos nas áreas alvo, apesar da movimentação documental intensa. O líder da organização seria um traficante conhecido como rei do gado, que comandava as operações de dentro de um presídio.
Segundo o MPRS, apenas cinco integrantes do núcleo principal movimentaram cerca de R$ 24,8 milhões nos últimos dois anos. Parte dos recursos teria ido para empresas e plataformas de apostas, usadas para dificultar o rastreamento.
Indícios apontam para falsidade ideológica, uso de pessoas interpostas, vendas simuladas e movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada. Além das prisões e buscas, o líder será transferido para o Módulo de Segurança Máxima da PASC.
De acordo com o coordenador estadual do Gaeco, Rogério Meirelles Caldas, a operação visa atingir a estrutura financeira das facções e fragilizar os mecanismos de ocultação de recursos ilícitos. A ação é coordenada pelo 9º Núcleo Regional – Campanha do Gaeco, com apoio da Brigada Militar, da Polícia Penal e do Ministério Público de Santa Catarina.
Desdobramentos e próximos passos
As autoridades não detalharam os próximos passos da investigação, mas reiteraram que o foco permanece na identificação de operadores financeiros e na recuperação de ativos vinculados ao esquema.
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