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Tesouro Direto: IPCA+8,5% não atrai compradores

Tesouro Direto registra demanda fraca por IPCA+, com 88,5% do ofertado adquirido, sinal de aversão ao risco, mesmo com IPCA+8,5% ao ano

Aperto — Foto: Getty Images
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  • Dois leilões do Tesouro Nacional envolveram títulos atrelados à Selic (LFTs) e ao IPCA+ (NTN-Bs); as LFTs foram totalmente vendidas, com volume de R$ 23,8 bilhões, enquanto os NTN-Bs resistiram mais, com 88,5% do ofertado vendidos.
  • Nos vencimentos curtos dos títulos IPCA+ houve menor demanda, com apenas 70% dos títulos ofertados vendidos, equivalendo a 151 milhões de reais. A oferta era de IPCA+8,53% com vencimento em 2031.
  • Em geral, as taxas de juros seguem acima de 7,8% ao ano desde o fim de maio, ainda reflitando a crise institucional que marcou o governo anterior.
  • As remunerações observadas: IPCA+2032 ficou em 8,32% (ante 8,36% na véspera), IPCA+2040 em 7,66% (ante 7,71%), Prefixado 2029 em 14,83% (ante 14,92%) e Prefixado 2032 em 14,74% (ante 14,86%).
  • Analistas destacam que a percepção de risco fiscal, custos mais altos do gasto público e incertezas macro ajudam a sustentar juros de longo prazo, com impactos para as expectativas de política monetária.

O Tesouro Direto enfrentou nova rodada de aperto na comparação com meses anteriores. Nesta terça (9), as taxas recuaram levemente após recordes de ontem, mas a procura seguiu fraca para títulos atrelados à inflação. Mesmo com remuneração de até IPCA + 8,5%, o leilão não esvaziou o lote.

Foram realizados dois leilões pelo Tesouro Nacional, envolvendo LFTs (Tesouro Selic) e NTN-Bs (Tesouro IPCA+). As LFTs foram vendidas integralmente, somando volumes expressivos. Já os NTN-Bs tiveram demanda menor, com apenas 88,5% do ofertado comprado.

Em vencimentos curtos, onde a taxa é mais alta, a demanda foi ainda menor: apenas 70% dos títulos IPCA+ ofertados foram vendidos, totalizando cerca de 151 milhões de reais. A oferta incluía IPCA+ 8,53% com vencimento em 2031.

Desempenho de títulos e cenário de juros

Os papeis com inflação seguiram negociados acima de 7,8% desde o fim de maio, um patamar alcançado na crise institucional que resultou no impeachment de Dilma Rousseff. O período é visto como uma das mais intensas crises fiscais da história recente.

Entre os títulos, o IPCA+ 2032 rendeu IPCA + 8,32% ante IPCA + 8,36% na véspera. O IPCA+ 2040 terminou com IPCA + 7,66%, ante 7,71% no dia anterior. Já os_prefixados_ 2029 e 2032 pagaram 14,83% e 14,74%, frente 14,92% e 14,86%, respectivamente, na sessão anterior.

Fatores que influenciam o mercado

As expectativas de juros foram revisadas para cima nas últimas semanas. Investidores já sinalizam falta de espaço para cortes de juros nas próximas reuniões do Copom. Nos Estados Unidos, o mercado já precifica alta de juros até dezembro. Além disso, preço do petróleo e incertezas no curto prazo influenciam a curva.

Analista da EQI Research aponta que o risco fiscal é o principal fator de pressão. O aumento de gastos e déficits primários elevam a preocupação com a sustentabilidade das contas públicas no longo prazo, impactando a demanda por papéis de renda fixa.

Perspectivas para inflação e juros

O Boletim Focus mostrou projeção de IPCA de 2026 em 5,1%, acima do teto da meta do Banco Central. Esse cenário reduz espaço para cortes adicionais e sustenta juros de longo prazo elevados. A leitura do mercado é de precaução frente a cenários fiscais e externos.

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