- O Web Summit Rio ouviu Cathy Li, do Fórum Econômico Mundial, sobre o potencial da IA na América Latina: ganho entre US$ 1,1 trilhão e US$ 1,7 trilhão até 2030 e aumento de até 2,9% na produtividade regional.
- Para realizar esse crescimento, é necessária ação coordenada entre governos, empresas, startups e instituições de ensino, com transformação de IA vindo de cima para baixo.
- Os gargalos incluem dificuldade de transformar iniciativas de IA em resultados de negócio, fuga de talentos para mercados globais e infraestrutura tecnológica limitada, com 58% das micro, pequenas e médias empresas sem ganhos com IA.
- O potencial regional se apoia em setores como agricultura, turismo e serviços financeiros, além de data centers movidos por energia renovável e disponibilidade hídrica; há avanços com projetos de infraestrutura na região (OpenAI na Argentina, AWS no México, ByteDance no Brasil).
- Recomendações centrais: estratégias nacionais de IA com metas e indicadores, investimentos em infraestrutura digital (5G, fibra, dados de qualidade), maior integração entre universidades e mercado e maior cooperação entre países para criar ambientes de governança confiáveis.
A inteligência artificial pode acrescentar de US$ 1,1 trilhão a US$ 1,7 trilhão à economia da América Latina até 2030, segundo estudo do Fórum Econômico Mundial em parceria com a McKinsey. O ganho de produtividade na região pode chegar a 2,9% e ajudar a enfrentar o envelhecimento da população.
Durante o Web Summit Rio, Cathy Li, head do Centro de Excelência em Inteligência Artificial do Fórum, destacou que a transformação depende de ação coordenada entre governos, empresas, startups e universidades. O evento ocorre no Riocentro e reúne players de tecnologia e inovação.
O estudo Latin America in the Age of AI aponta vantagens competitivas da região, como setores consolidados, recursos renováveis, disponibilidade hídrica e um ecossistema financeiro maduro. Li citou também o apetite por tecnologia e a proximidade cultural como fatores favoráveis.
Desafios para avançar
Li apontou gargalos que limitam o progresso: o desafio de transformar iniciativas em resultados de negócio, com a necessidade de mudanças mais abrangentes de cima para baixo. A região enfrenta fuga de talentos para empresas globais.
As pequenas e médias empresas representam 99% das companhias locais; 58% ainda não identificaram ganhos com IA. Infraestrutura tecnológica é limitada e há escassez de capacidade computacional local para sustentar modelos de IA.
Governança e regulação aparecem como entraves, dificultando decisões de investimento de longo prazo. A executiva enfatizou a necessidade de investimentos que gerem benefícios econômicos para a região.
Startups, colaboração e próximos passos
Apesar dos obstáculos, o Fórum aponta sinais positivos, como grandes projetos de infraestrutura na região. Iniciativas ligadas a grandes empresas, como OpenAI na Argentina, AWS no México e ByteDance no Brasil, foram citadas como exemplos.
A partir de agora, o ecossistema local precisa fortalecer capacidades de IA, com foco em aplicações práticas. Li ressaltou o papel crucial das startups para transformar tecnologia em empregos e desenvolvimento.
Governos e empresas devem alinhar estratégias nacionais de IA com indicadores mensuráveis. Investimentos em 5G, fibra óptica e acesso a dados de qualidade são prioritários, assim como a abertura de bases de dados públicas para acelerar inovação.
A executiva ainda defende maior conexão entre universidades e mercado, para que currículos acompanhem as competências da nova economia. Por fim, a região precisa criar ambientes de confiança para governança tecnológica e ampliar a cooperação entre países latino-americanos.
A cobertura do Web Summit Rio 2026 na Editora Globo é apresentada pelo Itaú.
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