- O bitcoin caiu abaixo de US$ 60.000 na sexta-feira, marcando a pior semana desde o colapso da FTX, em 2022.
- A desvalorização de 16% em sete dias foi a mais acentuada desde aquele evento, com recuperação modesta, mas ainda incerta.
- A Strategy Inc. reduziu parte de suas participações, comprando 1.550 bitcoins por cerca de US$ 101 milhões e vendendo US$ 2,5 milhões.
- Investidores retiraram cerca de US$ 5,5 bilhões dos ETFs de bitcoin à vista listados nos EUA em 13 dias consecutivos de saídas.
- Os sinais técnicos fracos incluem a queda abaixo da média móvel de 200 semanas; mudanças nas expectativas de juros ajudam a explicar o recuo, com cautela sobre uma recuperação sustentável.
Bitcoin registrou queda abaixo de US$ 60 mil na última sexta-feira, sinalizando a pior semana desde o colapso da FTX, em 2022. O recuo manteve o temor de que a recuperação seja frágil. A leitura é de analistas que acompanham o mercado de criptomoedas.
Durante o período, investidores deixaram fundos de Bitcoin negociados em bolsa e houve enfraquecimento de indicadores técnicos. A volatilidade elevada persiste, mesmo com sinais de recuperação contida. Mudanças na percepção de juros ajudam a explicar o movimento.
A desvalorização levou o Bitcoin a patamar próximo ao menor desde outubro de 2024, abaixo de 60 mil dólares. Em 8h40 (horário de Cingapura), o ativo estava em cerca de 61,5 mil dólares, com a máxima de 126 mil dólares no auge de 2021.
Aproximadamente, a semana foi marcada pela atuação da Strategy Inc., empresa de Michael Saylor, que vendeu parte de seus bitcoins, apesar de ter adquirido mais ativos recentemente. A operação alimentou a narrativa de que grandes players podem manter posições, mesmo com ceticismo do mercado.
Na prática, o preço ficou abaixo da média móvel de 200 semanas, indicador observado por traders para indicar suporte. O rompimento desse nível sugere cautela adicional e pode indicar que altas futuras não serão sustentadas.
Nessa linha, o cenário é descrito como um mercado em baixa silencioso, já que não houve um colapso abrupto semelhante ao da FTX. A quebra da média de 200 semanas reforça a percepção de que o mercado pode estar em uma nova fase de baixa.
Entre outros aspectos, a mudança nas expectativas de juros afeta o apetite por ativos especulativos. Dados recentes mostraram saída de fluxo de ETFs de Bitcoin para os EUA, conforme investidores reavaliam o risco macro.
Analistas destacam ainda a maior correlação recente entre movimentos de criptomoedas e ações de setores de tecnologia e inteligência artificial, com possibilidade de nova rotação de portfólio caso o mercado acionário reverte.
O cenário seguinte depende, entre outros fatores, do andamento da guerra entre EUA e Irã e de dados de emprego nos Estados Unidos. O mercado reconhece que cortes de juros podem não ocorrer tão cedo quanto o esperado.
Especialistas apontam que o Bitcoin já recuou cerca de 50% desde o pico recente, num ritmo menos devastador do que em invernos anteriores. Mesmo assim, o histórico anterior acende o temor de um piso ainda não alcançado.
Hayden Hughes, da Tokenize Capital, aponta risco idiossincrático para a indústria, com tesourarias digitais podendo vender em condições de aperto ou quedas de ações. Riscos sistêmicos também aparecem como possibilidade de contágio aos mercados.
A cobertura ressalta que, apesar de a queda atual não ter repetido ciclos passados, o termo “ainda” permanece relevante para entender o provável curso das próximas semanas. A matéria foi publicada pela Bloomberg, com atualização em Bloomberg Línea.
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