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Conflito e El Niño ameaçam rentabilidade do agro e pressionam inflação

Guerra no Oriente Médio e El Niño elevam custos e dificultam crédito, reduzindo a rentabilidade do agro e ameaçando o desempenho do PIB

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  • A guerra no Oriente Médio, que completa cem dias, eleva os preços internacionais do petróleo e pressiona combustíveis, fertilizantes, transporte e energia, o que pode reduzir as margens do agronegócio e sustentar a inflação.
  • O El Niño aumenta o risco de alterações na chuva em regiões produtoras, potencializando quedas de produtividade, qualidade das safras e volumes exportáveis.
  • No Brasil, as condições de crédito devem piorar nos próximos trimestres, com inflação resistente e juros elevados, impactando diretamente o custo de financiamento do produtor.
  • Economistas da FGV projetam crescimento do PIB em cerca de 1% no próximo ano, com inflação ainda alta e possibilidade de alta de juros caso não haja plano fiscal claro.
  • O agronegócio, que responde por cerca de um terço da economia brasileira, pode ter contribuição mais modesta ao crescimento caso custos subam, crédito fique mais caro e a produção sofra impactos climáticos.

O conflito no Oriente Médio completa 100 dias e já afeta a economia mundial, com reflexos sobre a inflação, o custo de energia e a cadeia produtiva. No Brasil, economistas da FGV alertam para um cenário de crédito mais difícil, juros elevados e inflação persistente, que podem reduzir a rentabilidade do agronegócio.

A avaliação foi feita em webinar da Fundação Getulio Vargas (FGV), que destaca impactos tanto de fatores globais quanto climáticos. Segundo os especialistas, o El Niño aumenta incertezas sobre eleições e produção rural, elevando riscos para saídas do setor.

Dinâmica macro e crédito

Os economistas destacam que o petróleo mais caro, decorrente da instabilidade no Oriente Médio, pressiona combustíveis, fertilizantes, transporte e energia. Com isso, a inflação tende a permanecer elevada por mais tempo, comprimindo margens do produtor.

Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do FGV IBRE, aponta que a renda real do agricultor pode sofrer mesmo com altas de preços agrícolas. O ciclo de inflação elevada pode perdurar, dificultando a redução de juros e encarecendo o crédito.

Para José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do FGV IBRE, o ciclo de flexibilização monetária chegou ao fim. O cenário aponta para condições financeiras mais adversas, com possibilidade de alta da taxa Selic entre este ano e 2027.

Perspectivas para o agro e o PIB

O estudo avalia que, apesar de safras e exportações de carnes manterem números positivos, os custos de produção avançam mais rapidamente que os ganhos. O clima adverso, potencialmente agravado pelo El Niño, pode reduzir produtividade e volumes exportáveis.

A FGV projeta crescimento de apenas 1% para o PIB no próximo ano, caso os choques persistam. O cenário envolve inflação elevada, juros altos por mais tempo e incertezas fiscais, com impactos diretos sobre o crédito rural e investimentos no campo.

No campo fiscal, o Brasil pode se beneficiar de preços internacionais do petróleo mais altos, favorecendo a arrecadação do setor de óleo e gás. Contudo, medidas de compensação de custos e possíveis estímulos fiscais no período pré-eleitoral podem moderar esse ganho.

O conjunto de desafios — inflação, juros, riscos climáticos e incertezas fiscais — cria um ambiente mais complexo para a economia brasileira. Para o agronegócio, custos maiores, crédito mais caro e possíveis perdas de produtividade podem limitar a contribuição do setor ao crescimento do país nos próximos anos.

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