- A inflação dos EUA subiu 0,5% em maio, ficando 4,2% acima de maio do ano passado; alta de energia persiste pelo terceiro mês.
- O grupo de energia mostrou alta de 3,9% em maio e 23,5% em doze meses, com a gasolina avançando 7% no mês.
- Economistas sugerem que o Federal Reserve terá poucos argumentos para cortar juros neste ano; há risco de alta de juros devido a pressões inflacionárias.
- O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, subiu 0,21% em maio, com o núcleo de serviços mantendo aceleração e aluguéis desacelerando menos que o esperado.
- Projeções indicam manutenção das taxas nos EUA no curto prazo, mas com possibilidade de alta conforme novos dados, o que pode impactar mercados emergentes.
A inflação americana de maio avançou 0,5% frente abril, em linha com o esperado. Na comparação anual, chegou a 4,2%, maior desde abril de 2023. O destaque ficou para o setor de energia, que subiu pelo terceiro mês seguido, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio. Em três meses, a alta nesse componente foi próxima de 20%.
O grupo de energia registrou alta de 3,9% em maio e de 23,5% no confronto anual. Gasolina puxou o índice, com ganho de 7% no mês. Economistas afirmam que o choque do Oriente Médio ainda não se dissipou, mantendo pressões sobre preços.
Para o Bradesco, o dado oferece apenas um alívio pontual, sem excluir pressões inflacionárias persistentes na economia americana. Já a leitura de núcleo aponta para um quadro heterogêneo entre bens e serviços.
Desdobramentos da inflação e núcleo
Excluindo alimentação e energia, o núcleo subiu 0,21% mês a mês, abaixo das expectativas. Bens registraram recuo de 0,11%, com deflação em itens como veículos e produtos médicos. Ainda assim, o núcleo de serviços manteve aceleração, sustentada por aluguéis.
A equipe econômica do Bradesco destaca uma composição frágil do núcleo, reflexo de deflações em bens e recuos em seguros de veículos. Especialistas do setor veem sinais de resistência na desaceleração dos preços de serviços.
Entre os componentes, o índice de serviços apresentou queda em habitação, mas a projeção permanece de desaceleração gradual. O mercado acompanha a possibilidade de novas pressões ao núcleo de preços nos próximos meses.
Perspectivas de política monetária nos EUA
Os dados alimentam a visão de que o Federal Reserve terá espaço limitado para reduzir juros neste ano. Alguns economistas veem riscos de necessidade de alta de juros caso a inflação permaneça resistente.
Analistas citam o ingresso de Kevin Warsh na liderança do comitê de política monetária, com tom mais cauteloso. A expectativa é de que não haja cortes no curto prazo e, em alguns cenários, possibilidade de aperto adicional.
Projeções variam: alguns veem manutenção da taxa entre 3,5% e 3,75% até o fim de 2026, outros sinalizam chance de alta em dezembro. O impacto dessas possibilidades se estende a mercados emergentes, inclusive no Brasil, com ajustes de capitais e câmbio.
Entre na conversa da comunidade