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Dólar fecha em leve queda diante da tensão entre EUA e Irã

Dólar fecha em leve queda com petróleo em alta apoiando o real; tensões EUA–Irã e CPI dos EUA abaixo do previsto aliviam o mercado

Notas de real brasileiro e de dólar americano, 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Amanda Perobelli
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  • O dólar fechou em baixa de 0,09%, a R$ 5,1726, após operar entre R$ 5,1596 e R$ 5,1976 pela manhã, com o real em leve recuperação.
  • Apesar de tensões entre EUA e Irã, a alta do núcleo do CPI dos Estados Unidos veio abaixo do esperado, reduzindo temores de mais aperto monetário e ajudando o câmbio brasileiro.
  • O petróleo em alta, perto de dois por cento, contribuiu para sustentar o recuo do dólar, já que o Brasil é exportador líquido de petróleo.
  • O Banco Central informou fluxo cambial positivo em junho até o dia cinco, de US$ 2,588 bilhões, elevando o saldo de 2026 para US$ 16,6 bilhões.
  • A moeda acumula alta de 0,30% na semana e 2,57% no mês, com queda de 5,76% em 2026; traders monitoram o outlook de petróleo e o protagonismo de Donald Trump.

O dólar fechou em leve baixa nesta quarta-feira (10), após abrir em forte volatilidade pela manhã. O recuo ocorreu mesmo com as pressões de uma escalada entre EUA e Irã, e a taxa final ficou em R$ 5,1726, queda de 0,09%. O dia começou com máximas de R$ 5,1976 e mínimas de R$ 5,1596 no mercado à vista.

A alta do petróleo ajudou a sustentar a recuperação do real, já que o Brasil é exportador líquido de petróleo. A commodity subiu cerca de 2% na sessão, o que, por sua vez, contribuiu para aliviar a pressão inflacionária vinculada a commodities e juros globais. O dólar acumula alta de 0,30% na semana e 2,57% no mês, com recuo de 5,76% em 2026.

No âmbito da política externa, o repúdio de Donald Trump ao Irã elevou a percepção de eventual prolongamento do conflito no Oriente Médio, mantendo o dólar sob suporte inicial. Trump prometeu ataques adicionais ao Irã, após bombardeios a alvos iranianos, o que circulou de manhã; à tarde, ele afirmou que o Irã estaria derrotado.

Segundo o operador de câmbio José Carreira, da Fair Corretora, já era esperado que o dólar abrisse em alta diante das ações dos EUA e do estreito de Ormuz, que voltou a ficar sob tensão. A leitura é de que preços mais elevados do petróleo podem impulsionar inflação global, inclusive no Brasil.

No lado inflacionário brasileiro, o núcleo do CPI dos EUA, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, saiu abaixo do esperado, o que ajudou o real a retomar uma trajetória de discreta valorização, após ter ficado entre as piores moedas emergentes na semana passada.

Jaqueline Neo, especialista em câmbio da be.smart, aponta que a inflação americana é um dos principais indicadores para o mercado, influenciando as decisões de política monetária do Federal Reserve. Uma leitura mais fraca do núcleo é vista como fator positivo para o real.

Ainda segundo Carreira, a princípio as expectativas eram de ataques mais contundentes dos EUA, mas há dúvida sobre a efetivação. “Às vezes o discurso de Trump não se confirma em ações”, comenta o analista.

O Banco Central informou, em junho até o dia 5, fluxo cambial positivo de US$ 2,588 bilhões, elevando o saldo de 2026 para US$ 16,6 bilhões. O dado reforça a visão de que o mercado tem absorvido entradas de capital de forma firme neste mês.

Sérgio Goldenstein, da Eytse Estratégia, ressalta que a depreciação do real na semana anterior (-2,6%) fez o país ter pior desempenho entre moedas emergentes, o que pesa na percepção de risco e demanda por ativos locais.

Oliver Levingston, estrategista do Bank of America Securities, considera que o apetite por carry trade em emergentes sem exportação de commodities diminuiu, dadas as incertezas sobre o choque de oferta de petróleo. O Brasil, porém, se beneficia pela posição de exportador líquido.

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