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Fluxo de recursos nos multimercados aponta mudança de demanda

Guerra no Irã expõe fragilidade dos multimercados brasileiros, com drawdown expressivo e baixa dispersão; ETFs ganham espaço como alternativa

Para onde vão os multimercados?
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  • A eclosão da guerra no Irã, no fim de fevereiro, pegou os multimercados brasileiros de surpresa, que tinham apostas no kit Brasil: queda da Selic, valorização da bolsa e do real, com DI e Ibovespa. A elevação do petróleo elevou a inflação e os juros futuros, derrubando a bolsa.
  • O cenário acionou o maior drawdown desde a pandemia, com o IHFA caindo 3,42% em março e mais de 70% dos fundos fechando no vermelho, revelando pouca diversificação de fator.
  • Analysis de André Leite, chefe de investimentos da TAG, aponta que o crowded trade favorece estratégias replicáveis por fundos passivos, dificultando o hedge contra o risco Brasil.
  • Em comparação, uma carteira kit Brasil com ETFs costuma entregar retorno próximo ou superior ao IHFA; nos últimos 48 meses, kit Brasil ganhou 47% contra 43% do IHFA, enquanto o CDI subiu 63%.
  • Nos últimos 12 meses, IHFA teve 11,2% versus 10,7% do kit Brasil; custos dos multimercados (2/20) chegam a 2,5%–4% ao ano, enquanto ETFs ficam entre 0,2% e 0,35% ao ano, sugerindo maior atratividade dos ETFs para investidores.

A eclosão da guerra entre Irã e ações envolvendo o petróleo provocou reflexos relevantes nos fundos multimercados brasileiros no fim de fevereiro. Com posições parecidas, a dança foi quase sincronizada, priorizando ganhos com Selic em queda, Ibovespa em valorização e dólar estável.

O choque veio quando o petróleo subiu e pressionou a inflação, empurrando os juros futuros para cima e levando a Bolsa a devolver ganhos do início do ano. O sell-off coincidiu com um stop-loss elevado, gerando o pior drawdown desde a pandemia, segundo estudo de André Leite, CIO da TAG Investimentos.

Leite apontou que a maioria dos multimercados ficou fortemente alavancada em DI, em uma tentativa de compensar resultados ruins dos anos anteriores. A leitura é de que há pouca diversificação real entre fundos, já que muitos dependem de mesmas posições e fatores, o que reduz a eficiência do hedge contra o risco Brasil.

Desempenho relativo entre kits e IHFA

A análise evidencia o fenômeno conhecido como crowded trade, em que cotistas pagam caro por estratégias facilmente replicáveis por fundos passivos. Em simulação, montar uma carteira tipo KIT Brasil com ETFs superou, em retornos, o IHFA em períodos recentes, demonstrando menor custo e maior diversificação prática.

Nos últimos 48 meses, o KIT Brasil com ETFs rendeu 47%, ante 43% do IHFA; o CDI registrou 63% no mesmo intervalo. A carteira simulada envolve renda fixa pré e pós, câmbio em dólar e exposições em Ibovespa e S&P 500, todos em moeda local.

Nos 12 meses mais recentes, o IHFA ficou 11,2% frente a 10,7% do kit. O CDI, por sua vez, teve 14,8% de ganho. Em uma janela de longo prazo (jan 2015 a abr 2026), o kit Brasil acumulou 208%, contra 203% do IHFA e 191% do CDI.

Custos, benefícios e o papel dos ETFs

É incomum que multimercados superem o CDI de forma estável, ainda mais quando considerados impostos e taxas. Os fundos costumam cobrar cerca de 2% de administração e 20% de performance sobre o ganho acima do CDI, elevando o custo efetivo entre 2,5% e 4% ao ano.

Por outro lado, ETFs apresentam custos muito menores, entre 0,2% e 0,35% ao ano. Segundo Leite, a indústria vende a ideia de descorrelação e hedges que não se verificam na prática, especialmente quando a base de investidores paga pela alavancagem e pela gestão ativa.

A visão dele é de que apenas fundos macro com neutralidade de risco Brasil ofereceriam convexoidade que ETFs não replicam. No entanto, esse tipo de fundo é minoritário dentro do IHFA, e a maioria entrega apenas beta ao investidor.

Perspectivas para o setor

A oscilação diária do índice de multimercados está cada vez mais associada a Bolsa, câmbio e juros. Nos últimos quatro anos, retornos baixos têm levado a saques frequentes e a um debate sobre a relevância da indústria diante dos ETFs e das gestoras quantitativas.

Leite vê a necessidade de evolução estrutural para manter relevância, recomendando que gestores criem valor em frentes não replicáveis por ETFs. A sugestão é buscar modelos de atuação mais integrados com o ecossistema global, como hedge funds, para ampliar opções de estruturação e governança.

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