- O fundo Verde terminou maio com ganho de 0,33%, abaixo do CDI de 1,07%, e acumula 7,76% no ano, frente a 5,66% do índice de referência.
- Zerou as alocações em real por preocupações macro e manteve posições em metais preciosos, além de manter a exposição à bolsa global; não tem posição direta em juros.
- As perdas ficaram com ações no mercado local, ouro e proteção de crédito da Arábia Saudita; ganhos ficaram com renda variável global e crédito.
- A carta destaca que IA reencontrou atenção de mercados, impulsionando ativos de semicondutores e capacidade computacional, e o tema excepcionalismo americano voltou a influenciar o câmbio e o Ibovespa, que caiu 7,22% no mês.
- Em juros, houve reavaliação de ciclos, com expectativa de altas no curto prazo; a gestora vê oportunidades de comprar mais convexidade na bolsa e segue com crédito local estável.
O fundo multimercado Verde encerrou maio com ganhos de 0,33%, abaixo do CDI de 1,07%. No acumulado do ano, manteve vantagem com 7,76% frente a 5,66% do benchmark. A equipe de gestão, liderada por Luis Stuhlberger, atribui os resultados à renda variável global e às posições de crédito, compensadas por perdas em ações locais, ouro e na proteção de crédito da Arábia Saudita.
A carta mensal destaca que, apesar do desempenho, o fundo preserva exposição em renda variável global e crédito, mantendo a bolsa local e internacional. O desempenho em maio refletiu a queda do Ibovespa, de 7,22%, influenciada pela rotação de ativos e pelo aperto de condições de crédito.
Contexto macro e ritmo de investimentos
A gestão aponta que o tema guerra perdeu espaço na atração de mercados, enquanto a atenção à inteligência artificial permanece acentuada. O “excepcionalismo americano” voltou a ganhar relevância, influenciando fluxos globais e a valorização de ativos ligados à cadeia de semicondutores e capacidade computacional.
A equipe observa que a economia dos EUA demonstra resiliência, até com indicações de possível aperto de juros pelo Federal Reserve. Esse cenário reforça a importância de acompanhar o dólar e o ciclo de política monetária, que impacta fluxos globais e custos de financiamento.
Ofensiva de liquidez e decisões de alocação
O Verde zerou as alocações em reais por conta desse cenário cambial e de juros, enquanto manteve exposição a metais preciosos. Segundo a gestora, há oportunidades de comprar mais convexidade na bolsa, mesmo sem posição direta em juros no portfólio.
Entre os ajustes, o fundo manteve a exposição a renda variável, tanto no Brasil quanto no exterior, e não possui posição direcional em renda fixa local. Nos EUA, houve troca de alocação de inflação implícita por maior posição em juros reais.
Geopolítica, petróleo e justificativas de preço
Sobre o Oriente Médio, o documento indica que o conflito segue sem solução, com promessas de acordo empurradas para frente e conflitos localizados de baixa intensidade. A leitura é de que o apetite de Trump por retomar ações militares permanece baixo, o que influencia o apetite por risco global.
Quanto ao petróleo, a equipe cita três fatores com maior grau de incerteza para explicar a ausência de queda de preços ainda mais acentuada: redução forte das importações chinesas, trânsito de petróleo no estreito de Ormuz e uso ampliado de estoques estratégicos mundiais. Em conjunto, esses elementos ajudam a explicar a estabilidade de preços frente a tensões geopolíticas.
Estratégia de alocação atual
O fundo manteve a exposição à renda variável, tanto no Brasil quanto no exterior, e não assume posições direcionais em juros locais. Nos Estados Unidos, a gestão deslocou recursos para posições de juros reais. Ainda, o Fundo Verde continua operando com a proteção de crédito da Arábia Saudita e zerou as posições em petróleo via opções, mantendo a alocação de crédito local.
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