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Mercado aponta renegociação como ponte, não solução para crédito no agro

Renegociação é ponte, não solução para crédito no agro; Refis do Agro pode alcançar cerca de R$ 180 bilhões em passivos rurais

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  • O Projeto de Lei 5.122/2023, conhecido como Refis do Agro, será votado pelo Senado e pode abranger cerca de R$ 180 bilhões em passivos rurais.
  • O consenso é que a renegociação funciona como ponte, não solução definitiva para a inadimplência do setor.
  • Há risco de beneficiar produtores com capacidade de pagamento que aderirem apenas para obter melhores condições.
  • A condução atual do crédito é mais restrita, com crédito disponível para produtores viáveis, enquanto a inadimplência aumenta pela queda de rentabilidade e elevação de custos.
  • Planos futuros passam a incluir maior participação do financiamento privado e Fiagros, com expectativa de melhora gradual caso haja queda de juros e maior eficiência.

O Senado deverá votar nesta quarta-feira o Projeto de Lei 5.122/2023, conhecido como Refis do Agro. A proposta, que pode alcançar até ~R$ 180 bilhões em passivos rurais, visa facilitar renegociações de dívidas de produtores. A ideia é uma ponte para atravessar o momento de aperto financeiro, mas não uma solução definitiva para a inadimplência.

A discussão envolve governo, bancada ruralista, bancos e investidores. A votação ocorre em meio a um cenário de crédito mais restrito e juros elevados, que impacta custos de produção e rentabilidade do setor. A avaliação é de que o Refis, isoladamente, não resolve problemas estruturais.

Representantes do mercado divergem sobre os impactos. Há quem defenda regras claras para evitar distorções, enquanto outros alertam para o risco de beneficiar produtores com capacidade de honrar compromissos que optem por aderir ao programa.

A visão predominante entre instituições financeiras é de que a renegociação pode ajudar produtores viáveis em dificuldades temporárias. Contudo, a ampliação da renegociação não resolve operações sem sustentabilidade econômica.

Para João Cézar Magalhães, do Banco Original, o projeto pode atender perfis específicos de produtores, especialmente os menores, mas requer cautela para não criar incentivos equivocados. Ele pondera a necessidade de cuidado com o uso público.

Alan Glezer, da Agrolend, aponta que a renegociação é uma ponte e não uma solução definitiva. Ele vê utilidade para perdas pontuais, mas alerta sobre casos de operações economicamente inviáveis.

André Ito, da Vinci Compass, defende atuação pública para destravar o crédito rural, destacando a importância de clareza regulatória e de mecanismos que ampliem o acesso ao financiamento.

Momento do crédito rural

A inadimplência cresce em meio a fatores como juros elevados, custos de produção e retração de margens. Produtores enfrentam aperto financeiro após anos de expansão apoiada por crédito e preços de commodities.

Especialistas afirmam que o problema está menos na oferta de crédito e mais na rentabilidade do negócio. O mercado aponta que recursos seguem disponíveis para operações sólidas, enquanto perfis mais alavancados enfrentam maior dificuldade.

A confiança no sistema de crédito é citada como fator crítico. Investidores indicam incertezas sobre recuperação de garantias, rentabilidade futura e impactos de ações judiciais.

A dificuldade para executar garantias encarece o crédito e eleva o desgaste operacional. Mesmo com garantias, a cobrança eficiente é um desafio que pesa sobre a precificação.

Apesar das críticas, o objetivo do setor continua ser buscar soluções negociadas, evitando atritos jurídicos quando possível. A prioridade é manter o fluxo de pagamentos e a continuidade das operações.

Plano Safra e novas fontes

O debate também aborda a atuação do Plano Safra frente ao crescimento do financiamento privado. Embora ainda relevante, sua participação está em queda relativa frente a mecanismos de mercado.

Especialistas destacam que o crédito privado, o mercado de capitais e instrumentos como Fiagros ganham espaço na oferta de financiamento ao agro. O apoio público continua importante, mas em termos de tempo de chegada ao produtor.

A visão é de que o refinanciamento não substitui a necessidade de crédito eficiente e sustentável. Um crédito bem alinhado ao perfil do produtor e ao ciclo econômico é visto como chave para a recuperação.

O ambiente aponta para uma possível melhoria gradual nos próximos anos, com a expectativa de redução gradual das taxas de juros. A reversão depende de sinais de rentabilidade e de condições de mercado estáveis.

A leitura do mercado é de que, sem margens consistentes, a recuperação pode permanecer fragilizada. O ciclo de juros e a eficiência produtiva devem caminhar juntos para reduzir a inadimplência.

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