- O CEO do Web Summit, Paddy Cosgrave, disse que o Pix pode revolucionar fintechs ao eliminar intermediários e reduzir custos na economia digital.
- Ele afirmou que o Brasil passou a ser visto como exportador de tendências, especialmente no Sul Global, atraindo atenção de fundos de venture capital.
- Cosgrave explicou que o modelo brasileiro pode ser exportado a outros bancos centrais do Sul Global e, futuramente, à Europa, apesar de a tese ainda não ser amplamente compreendida fora da região.
- O executivo destacou a presença crescente de empresas asiáticas, incluindo China e Vietnã, no mercado latino-americano, com avanços na IA generativa e modelos de código aberto disputando espaço com grandes empresas americanas.
- Segundo Cosgrave, grandes empresas de tecnologia monitoram inovações fora do Vale do Silício há muitos anos, acompanhando movimentos e estratégias de players emergentes em lugares como Shenzhen.
O Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, é visto como instrumental para revolucionar fintechs, segundo Paddy Cosgrave, CEO do Web Summit. Em uma coletiva no Rio de Janeiro, Cosgrave destacou que o BC mantém o Pix como ferramenta de eficiência que elimina intermediários na cadeia digital.
Ele afirmou que o arranjo regulatório brasileiro nivela o jogo e reduz custos na economia digital. Segundo o CEO, grandes emissores de cartões e adquirentes dos EUA acompanham o movimento com interesse, enquanto o Pix ganha atenção internacional.
Cosgrave também destacou que há pouco conhecimento sobre o Pix fora da América Latina, mas que números de crescimento podem atrair interesse de bancos centrais do Sul Global e, eventualmente, da Europa. O modelo, na visão dele, tem potencial de exportação.
Descentralização e Asia no radar
O executivo apontou a presença de empresas chinesas na América do Sul como parte de uma tendência de descentralização tecnológica. Em Berlim e Lisboa, a atuação de players chineses já é relevante, e o Rio de Janeiro pode ganhar escala nos próximos anos.
Executivos chineses costumam analisar o ambiente de negócios local antes de posicionar filiais ou projetos, afirmou Cosgrave, sinalizando ciclos de decisão mais longos, dados os encontros anuais do Web Summit.
Além da China, Cosgrave indicou o crescimento de delegações asiáticas no Brasil, com a chegada de startups vietnamitas nesta edição do evento. A diversificação de players é vista como componente da expansão regional.
IA, open source e competição global
A discussão também abordou a competição entre modelos de IA. O espaço entre código aberto da China e as arquiteturas fechadas das Big Techs norte-americanas deve moldar os investimentos no segundo semestre, segundo o CEO.
Cosgrave citou dados de mercado que sugerem avanço de modelos chineses em uso corporativo nos EUA, com a DeepSeek ganhando relevância frente à OpenAI e à Anthropic. A tendência aponta para maior valorização de soluções abertas.
A visão do Web Summit é de que o ecossistema brasileiro e sul-americano ganha protagonismo ao lado de avanços asiáticos, com decisões corporativas que devem se consolidar nos próximos anos.
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