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Por que é difícil criar e popularizar alternativas sustentáveis ao plástico

Tarifas elevadas, regulamentação fragmentada e custo competitivo freiam substitutos do plástico, como papel e algas, de ganhar escala

Inventados no século 19, os canudos de papel foram substituídos pelos de plástico na década de 1960, mas desde 2019, o seu uso passou a ser obrigatório em estabelecimentos de cidades como São Paulo devido à discussões sobre meio ambiente
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  • Canudos de papel foram incentivados de 2018/2019, mas apresentam problemas como menor resistência e dificuldade com bebidas mais densas.
  • A Avaliação Mundial dos Oceanos aponta que cinquenta e duas milhões de toneladas de resíduos plásticos entram nos oceanos por ano, afetando mais de quatro mil espécies marinhas.
  • O plástico continua predominante e pouco reciclado (aproximadamente dez por cento), e tarifas elevadas para substitutos encarecem alternativas como papel, bambu, fibras naturais e algas.
  • Em dois mil e vinte e três, o comércio global de substitutos do plástico atingiu quinhentos e oito bilhões de dólares; são necessárias medidas tarifárias e não tarifárias, além de melhorias de acesso ao mercado e incentivos regulatórios.
  • Algas marinhas são vistas como substituto promissor, especialmente para embalagens, mas a regulamentação é fragmentada; em dois mil e vinte e dois, houve produção de trinta e seis milhões e trezentas mil toneladas e apenas setecentos e cinquenta mil toneladas foram comercializadas internacionalmente.

Nos planos globais de reduzir o uso de plástico, os substitutos caminham a passos lentos. Canudos de papel ganharam força entre 2018 e 2019, mas enfrentam críticas sobre resistência, densidade de bebidas e durabilidade. A meta é reduzir resíduos oceânicos, segundo avaliações internacionais.

A substituição envolve tarifas e regulamentação que dificultam a competição com o plástico. O custo de alternativas como papel, bambu, fibras naturais e algas chega a tarifas de até 14,4% ou mais, tornando-as menos atraentes para economias erguidas no plástico.

Dados da Avaliação Mundial dos Oceanos apontam que 52 milhões de toneladas de resíduos plásticos chegam aos mares a cada ano, afetando milhares de espécies. O plástico continua dominante, com apenas 10% de reciclagem da produção global, contribuindo para o desafio das mudanças.

A UNCTAD destaca que o plástico se beneficia de décadas de amadurecimento do mercado, o que dificulta a substituição. Em 2023, o comércio global de substitutos chegou a US$ 485 bilhões, com avanços possíveis, desde que haja medidas tarifárias e regulatórias mais eficazes.

Os substitutos também precisam cumprir condições de biodegradabilidade que nem sempre ocorrem naturalmente. Compostagem industrial, controle de temperatura e umidade são muitas vezes exigidos, dificultando sua adoção ampla.

Algas marinhas como caminho promissor

Algas marinhas despontam como alternativa com potencial para embalagens, sem exigir água doce, fertilizantes ou terras agrícolas. A produção global de algas aumentou nos últimos 20 anos, com exportações crescendo de forma relevante, sinalizando interesse comercial.

Entretanto, a regulamentação do comércio internacional permanece fragmentada. Regras pouco claras dificultam a entrada de algas no mercado, aumentando custos e incertezas para produtores e comerciantes.

Em 2022, foram produzidas 36,3 milhões de toneladas de algas, mas apenas 0,75 milhão foi comercializado internacionalmente. Tarifas elevadas e incertezas regulatórias colaboram para essa distância entre produção e comércio.

Caso os obstáculos permaneçam, as alternativas sustentáveis devem enfrentar barreiras significativas para competir com o plástico. Consumidores continuam favoráveis a práticas mais responsáveis, desde que haja disponibilidade e preço competitivo.

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