- Mudanças climáticas e mudanças nas preferências dos consumidores levam casas de champanhe, como Laurent-Perrier, a fortalecer vínculos com seus viticultores para manter qualidade e estabilidade a longo prazo.
- A relação entre grandes casas e produtores de uvas está se tornando mais colaborativa, com foco em terroir e em manter o equilíbrio entre tradição e inovação.
- A família que controla Laurent-Perrier enfatiza inovação constante e uma parceria de longo prazo baseada em metas comuns e confiança mútua.
- Nicolas Rainon, proprietário de 8,5 hectares no Montagne de Reims, trabalha exclusivamente com Laurent-Perrier, avaliando anualmente quais uvas expressem melhor o perfil da casa.
- Práticas vitícolas como colheita mais cedo, manejo natural, cobertura de grama e redução de pesticidas têm sido adotadas para manter frescor, mineralidade e adaptar-se às mudanças climáticas.
O que está mudando no champagne: produtores estão fortalecendo vínculos com os viticultores que fornecem uvas, diante de clima instável e mudanças nas preferências dos consumidores. Casas como Laurent-Perrier buscam maior colaboração para manter qualidade e estabilidade a longo prazo.
Historicamente, as grandes casas detinham capital, caves e redes de exportação, enquanto os viticultores possuíam terras limitadas. Hoje, a relação está mais complexa e evolui conforme novas gerações assumem as Casas e o impacto do clima se intensifica.
A evolução ocorre em meio a um cenário de vinhos cada vez mais terroir-driven, com foco em safras variáveis. Algumas propriedades passaram a apoiar produções próprias de pequenas parcelas, enquanto outras fortalecem parcerias com poucos produtores escolhidos.
Laurent-Perrier adota uma postura de inovação desde sua origem, segundo a quarta geração da família proprietária. A líder de operação, Lucie Pereyre de Nonancourt, ressalta que a filosofia da casa privilegia experimentação para manter a identidade e a qualidade.
As relações com os produtores são construídas ao longo de décadas. Nicolas Rainon, viticultor com 8,5 hectares, trabalha exclusivamente com Laurent-Perrier e caminha junto à casa desde gerações. O engajamento mútuo é descrito como parceria verdadeira, com reconhecimento e visibilidade para o trabalho do viticultor.
Para Rainon, escolher parceiros é crucial. Ele afirma que a confiança na visão da Laurent-Perrier e a capacidade de traduzir o caráter de suas uvas justificam a relação de longo prazo. A proximidade facilita ajuste rápido a condições climáticas adversas.
A prática de manejo também muda. Rainon observa que a casa valoriza uvas de regiões específicas, como Villers-Marmery, para expressar frescor e mineralidade. A produção envolve seleção de parcelas conforme o estilo desejado pela casa.
Mudanças climáticas exigem cooperação mais estreita. De Nonancourt ressalta que o diálogo constante permite adaptar processos, manter a qualidade e assegurar estabilidade econômica para todos os envolvidos. Viticultores acompanham de perto o terroir diariamente.
As estratégias incluem ajustes no manejo para preservar acidez, frescor e expressão das parcelas. Em termos de cultivo, a incorporação de práticas que favorecem biodiversidade e menos intervenções químicas é gradualmente ampliada para melhorar a resiliência das vinhas frente a variações climáticas.
A parceria compartilhada entre Laurent-Perrier e Rainon exemplifica uma tendência de mercado: cultivo mais próximo, alinhamento de objetivos e respostas coordenadas a desafios climáticos. O objetivo é sustentar a qualidade e a estabilidade de abastecimento no futuro.
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