- Taxas de títulos públicos atingiram novas máximas; prefixados de vencimento curto chegam a 15% ao ano, com potencial de ganhos reais altos, mas dependem da inflação e da Selic.
- A marcação a mercado pode fazer o retorno oscilar se o investidor precisar vender antes do vencimento.
- Exemplos de resultados: IPCA+ 2032 teve IPCA mais 8,37% e IPCA+ 2040, IPCA mais 7,68%; prefixados 2029 registraram 14,99% e 2032, 14,85%.
- Com juros na casa de 15% ao ano, o retorno real pode ficar entre 9% e 11%, podendo dobrar o patrimônio em cerca de sete a oito anos, sem considerar imposto de renda.
- Especialista indica que, embora atrativos, os prefixados são mais arriscados e dependem de inflação estável e de um cenário fiscal não pior, com volatilidade de preços para quem precisar vender antes do vencimento.
As taxas dos títulos públicos alcançaram novas máximas nesta quarta-feira, 10. Títulos prefixados com vencimento curto remuneram a até 15% ao ano, acima das previsões mais pessimistas da Selic. A elevação indica oportunidade de ganhos reais, mas envolve riscos de marcação a mercado.
Investidores precisam considerar que o retorno no vencimento pode divergir do retorno caso seja necessário vender antes. Se a inflação subir, os ganhos reais diminuem; se a Selic subir, o preço dos prefixados tende a cair, elevando a volatilidade.
- Tesouro IPCA+ 2032: retorno de IPCA + 8,37% (ante IPCA + 8,32%).
- Tesouro IPCA+ 2040: retorno de IPCA + 7,68% (ante IPCA + 7,67%).
- Tesouro Prefixado 2029: 14,99% (ante 14,89%).
- Tesouro Prefixado 2032: 14,85% (ante 14,79%).
Com taxas próximas a 15% ao ano, os juros reais dos prefixados ficam entre 9% e 11%, dependendo da inflação futura. Um retorno real de aproximadamente 10% pode dobrar o patrimônio em cerca de 7,5 anos, excluindo imposto de renda.
Análise de cenário
João Abdouni, analista de renda fixa da EQI Research, aponta que esses títulos são uma alternativa atrativa, porém com maior risco. A recomendação é alinhar a posição ao perfil de risco da carteira.
Investidores que optam por prefixados apostam em inflação controlada e cenário fiscal estável. Caso falhem um desses pilares, o investidor sofre na marcação a mercado ou no retorno real menor que o esperado.
Motivos da alta
O mercado de juros vem passando por uma correção ascendente nas últimas duas semanas. A expectativa de Selic mais alta se fortalece diante de alta de preços internacionais, como petróleo, e de um payroll norte-americano robusto, que eleva as chances de novas altas até dezembro.
No Brasil, muitos não projetam cortes de juros nas próximas reuniões do Copom. Fatores como guerra no petróleo, incertezas macro e eventos climáticos ligados ao El Niño contribuem para o cenário de juros elevados.
Para Abdouni, o risco fiscal é fator-chave. O aumento de gastos e déficits primários e nominais ampliam a preocupação com a sustentabilidade das contas públicas no longo prazo. O Boletim Focus aponta IPCA de 5,1% em 2026, acima do teto da meta, o que sustenta a inclinação de juros de longo prazo.
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