- A Verde Asset zerou as posições em real diante da mudança no fluxo global, que voltou a favorecer os EUA e pressionar moedas de emergentes.
- O dólar ganhou força, com o real perdendo fôlego; em trinta dias, a moeda americana subiu mais de cinco por cento frente ao real.
- A gestora aponta volta do interesse por temas de inteligência artificial e a resiliência da economia norte-americana como motivos para a mudança de cenário.
- A leitura é de que o Brasil perde atratividade externa e que o suporte externo ao ativos domésticos se enfraquece, levando a decisão de redução da exposição à moeda local.
- A Verde considera que há distorções na curva de juros e que o mercado precifica um novo ciclo de alta da Selic, porém vê potencial exagero nesse movimento; o fundo rendeu 0,33% em maio, acumulando 7,76% no ano, e mantém posição em renda variável no Brasil sem alocação de juros.
A Verde Asset, gestora de Luis Stuhlberger, zerou suas posições em real diante da mudança no fluxo global de capitais. O movimento acompanha o retorno de favorecimento aos Estados Unidos e a fraqueza de moedas de mercados emergentes, como o Brasil.
A decisão reflete a leitura de que o ambiente externo ficou menos favorável. O dólar ganhou força e o impulso que beneficiava emergentes perdeu tração, conforme aponta a carta mensal da casa.
Virada no fluxo global muda o jogo
Após um período de saída de ativos dos EUA, maio trouxe nova inclinação. A Verde cita o interesse por temas de inteligência artificial, a resiliência da economia americana e a possibilidade de juros mais altos pelo Federal Reserve como fatores que recolocaram os EUA no centro do mercado.
Essa dinâmica, na visão da gestora, aumenta a demanda por ativos em dólar e pressiona moedas de emergentes, com o real entre os atingidos. Em 30 dias, o dólar avançou acima de 5% frente ao real.
Cenário de juros e câmbio sob observação
Apesar da cautela com o câmbio, a Verde aponta distorções na curva de juros. O mercado precifica um novo ciclo de alta da Selic nos próximos meses, movimento considerado possivelmente exagerado pela gestora.
O relatório também destaca o peso dos pacotes parafiscais anunciados pelo governo, vistos como fator de risco fiscal que complica a atuação do Banco Central em um cenário de desemprego baixo.
Desempenho e posicionamento do fundo
Em maio, o fundo Verde rendeu 0,33%, ante 1,07% do CDI. No acumulado do ano, sobe 7,76%, frente a 5,66% do benchmark.
A gestora manteve posições em renda variável no Brasil, entendendo haver oportunidades para ampliar a exposição na bolsa após a recente correção. Contudo, prefere não reforçar a posição de juros, mesmo com o juro real acima de 8%.
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