- O Banco Mundial reduziu a projeção do PIB do Brasil para 2026, de 2,0% para 1,9%, e para 2027, de 2,3% para 2,0%.
- A redução de 2026 é apontada principalmente pela desaceleração do consumo e pela perda de tração da desinflação.
- A pressão inflacionária no setor de energia, causada pela guerra entre Estados Unidos e Irã, elevou custos e limitou cortes da taxa Selic.
- Pontos positivos incluem a resiliência das exportações, impulso de preços de commodities e energia, além de acordos comerciais que favorecem o acesso a mercados.
- A América Latina também deve desacelerar, com crescimento regional estimado em 2,2% para 2026.
O Banco Mundial reduziu as projeções de crescimento do Brasil para 2026 e 2027. Em relatório divulgado nesta quinta-feira (11), a instituição passou a estimar 1,9% para 2026 (de 2%) e 2,0% para 2027 (de 2,3%). A revisão reflete uma desaceleração do consumo e perda de fôlego da desinflação.
Segundo o Banco Mundial, a economia brasileira deve desacelerar em 2026 devido ao menor dinamismo do consumo, aliado a um arrefecimento da trajetória de queda da inflação. A instituição aponta pressão inflacionária no setor de energia como fator-chave.
Guerra no Oriente Médio como vetor de pressão
A instituição liga, de forma direta, o conflito no Oriente Médio à piora das perspectivas macroeconômicas do Brasil. A alta do petróleo eleva custos de energia, dificultando a queda de inflação e limitando espaço para cortes na taxa Selic, o que pode impactar crédito e consumo.
Além disso, o relatório cita a visão de que a inflação tende a permanecer mais alta, o que reduz impactos positivos de estímulos monetários no curto prazo. Essa leitura coincide com a avaliação de mercado de que apenas dois cortes na Selic são esperados em 2026.
Pontos positivos e oportunidades
Apesar da revisão, o Banco Mundial aponta fatores favoráveis ao Brasil. A resiliência das exportações cresce com o aumento de preços de commodities e energia, beneficiando o setor externo.
O relatório também destaca impactos positivos de acordos comerciais. A redução de tarifas dos EUA melhora perspectivas de venda brasileira e o acordo UE-Mercosul amplia acesso a novos mercados, reduzindo incertezas para exportadores.
Panorama regional
Para a América Latina e Caribe, o Banco Mundial prevê desaceleração de 2,2% em 2026, diante de demanda interna fraca e menor dinamismo global. Ainda assim, países exportadores de commodities, como o Brasil, mantêm posição relativamente mais favorável frente a economias dependentes de importações de energia.
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