- Bancos dos Estados Unidos devem arrecadar mais de US$ 500 milhões em taxas com o IPO da SpaceX, o maior da história nesse tipo de operação, além de fortalecer vínculos com clientes ultrarricos.
- No JPMorgan Chase, cerca de 350 investidores ricos participaram de evento em Nova York para ouvir Elon Musk; o CEO Jamie Dimon citou a “democratização das finanças”.
- A SpaceX também busca vender ações a investidores comuns via Fidelity e Robinhood, mas clientes ricos do JPMorgan teriam menos restrições para futuras participações.
- A onda de mega IPOs, como SpaceX, OpenAI e Anthropic, pode gerar novos bilionários e ampliar a base de clientes de gestão de patrimônio dos bancos.
- A gestão de patrimônio é vista como negócio escalável: os bancos ganham taxas e oferecem serviços adicionais, como planejamento sucessório e crédito garantido, sem exigir uso de capital próprio.
Os bancos estão buscando capitalizar o momento de grande emissão de SpaceX, alinhando clientes bilionários a operações da SpaceX para fortalecer relacionamentos e ampliar receitas com gestão de patrimônio. No JPMorgan, em Nova York, 350 investidores ricos participaram de um encontro com Elon Musk para discutir a empresa espacial. O encontro ocorreu no início da semana passada no 51º andar da sede da instituição.
Entre os presentes estavam o proprietário do New England Patriots, Robert Kraft, e o investidor Kenneth Langone, cofundador da Home Depot. O CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, afirmou aos presentes que o objetivo é ampliar a “democratização das finanças”, tratando investidores individuais com aproximação a fundos de hedge e outros grandes agentes do mercado. A reunião destacou a relevância crescente dos clientes de alta renda para Wall Street.
A reportagem aponta que quase duas dezenas de bancos e corretoras devem recolher mais de US$ 500 milhões em taxas com o IPO da SpaceX, o maior pagamento já registrado nesse tipo de operação. Além disso, o IPO é visto como oportunidade de estreitar vínculos com bilionários e atrair novos clientes para serviços de gestão de patrimônio.
A SpaceX também planeja vender ações a investidores com contas em Fidelity e Robinhood. Entretanto, algumas corretoras impõem restrições a IPOs logo após a listagem. A Fidelity, por exemplo, bloqueia temporariamente participação de alguns investidores nas ofertas futuras se negociarem ações recebidas no IPO nas primeiras duas semanas.
Clientes ricos do JPMorgan, no entanto, não ficam sujeitos a essas limitações, segundo pessoas envolvidas no processo. O movimento ocorre em meio a metas de bancos para diversificar e expandir suas carteiras de gestão de patrimônio, com foco em atender rapidamente a uma nova geração de milionários e bilionários.
A estratégia ganha espaço diante de mega IPOs esperados neste ano, como os da OpenAI e Anthropic, além da SpaceX. Especialistas destacam que a riqueza gerada por funcionários dessas companhias privadas pode se transformar em demanda por serviços de gestão de patrimônio, planejamento sucessório e crédito garantido por ativos.
Analistas ressaltam que a gestão de patrimônio é valorizada pela possibilidade de gerar taxas de administração e receitas adicionais sem exigir capital próprio dos bancos. Em grandes instituições, essa área já representa parcela relevante dos negócios, como no caso do JPMorgan, que administra mais de US$ 4,5 trilhões para clientes individuais, segundo dados internos.
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