- O economista José Júlio Senna, da Fundação Getulio Vargas, afirma que a perspectiva para 2027 não é positiva devido a pressões inflacionárias e ao espaço restrito para queda da Selic.
- Segundo ele, o cenário atual em Brasília não mostra decisões orientadas pela dívida pública e pela inflação, fatores que influenciam a política monetária, configurando um “deserto de estadistas”.
- Senna aponta que, ao fim deste ano, a relação dívida pública/PIB pode ficar entre nove e dez pontos percentuais, o que sustenta preocupações com a inflação acima da meta.
- Ele questiona quem, no sistema político e institucional, considera o impacto de suas decisões sobre dívida e inflação, dizendo que ninguém o faz, nem no Judiciário.
- A conclusão dele é que decisões de curto prazo tomadas por políticos deterioram a perspectiva de um cenário favorável para juros em 2027.
José Júlio Senna, pesquisador e coordenador do Centro de Política Monetária do FGV Ibre, avalia que a perspectiva inflacionária para 2027 é ruim. A análise foi feita durante participação no Mercado Aberto, do Canal UOL.
Segundo o economista, não há no Brasil atual políticas públicas voltadas ao controle da dívida pública e da inflação que possam influenciar a trajetória da Selic. A visão é de aprofundamento de pressões inflacionárias para o próximo ano.
Senna aponta um descompasso entre o discurso político e os números fiscais, destacando que a relação dívida/PIB pode chegar a patamar próximo de 9% a 10% neste governo. O cenário, na leitura dele, restringe o espaço para queda de juros.
Para o economista, a percepção de inflação acima da meta já preocupa quem acompanha os indicadores. Ele questiona quem, no parlamento ou no Judiciário, parece levar em conta o efeito de decisões sobre dívida pública e inflação.
Senna afirma ainda que decisões de Brasília têm sido guiadas por objetivos de curto prazo, o que, na avaliação dele, dificulta a melhoria das perspectivas para 2027. O comentarista descreve a ausência de estadistas com convicções claras.
O programa Mercado Aberto é veiculado de segunda a sexta, às 8h, com apresentação de Amanda Klein. O conteúdo completo está disponível ao vivo na home do UOL, no YouTube e no Facebook do UOL. Fonte: Canal UOL e Mercado Aberto.
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