- Reservas financeiras da Rússia estariam quase esgotadas, com ativos líquidos do fundo soberano caindo de 6,5% do PIB no início da guerra para 1,8% em abril.
- O crescimento econômico praticamente parou, e a dependência da China aumentou; receitas de petróleo e gás teriam recuado 45% no primeiro trimestre frente ao mesmo período do ano passado.
- Limitações estruturais vão além de acesso a dinheiro: falta de mão de obra, tecnologia e capacidade produtiva, o que limita o poder de investir para contornar sanções.
- A China já responde por cerca de 35% do comércio exterior russo e fornece a maior parte de componentes críticos; Moscou depende cada vez mais de Pequim.
- O estudo aponta caminhos para pressão ocidental, incluindo tarifas sobre o comércio remanescente UE-Rússia, controles de exportação mais rígidos e restrições à chamada frota fantasma de petroleiros.
A economia da Rússia estaria à beira do colapso, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira, 11 de junho, pelo IfW, da Alemanha, em parceria com o SITE, da Suécia. O documento aponta esgotamento das reservas financeiras após quatro anos de guerra e maior dependência de Pequim. A pesquisa sugere que o cenário pode ampliar a pressão ocidental.
De acordo com o relatório, os ativos líquidos do fundo soberano russo caíram de 6,5% do PIB no início do conflito para 1,8% em abril. O déficit orçamentário federal já superou a meta prevista para o ano. Já as receitas com petróleo e gás caíram 45% no primeiro trimestre ante igual período de 2022.
O estudo aponta limitações estruturais que vão além do acesso a recursos. A principal restrição hoje é a mão de obra, tecnologia e capacidade produtiva, segundo o coautor Matthew Klein. Gastos adicionais poderiam elevar a inflação, em um cenário de emprego baixo e sanções.
Limitações estruturais e inflação
A pesquisa destaca que o aumento de gastos pelo governo tende a estimular pressões inflacionárias, mesmo diante de restrições de mercado. A escassez de trabalhadores é citada como fator crítico para a recuperação econômica.
Dependência da China
O texto aponta que a China já responde por cerca de 35% do comércio exterior russo. A China fornece a maior parte de bens críticos e componentes civis e militares. A cooperação cresceu em importações de componentes militares sancionados desde 2022, segundo a análise.
Potenciais respostas ocidentais
O relatório sugere ações para aumentar a pressão econômica sobre Moscou. Entre as propostas estão mecanismos para restringir a chamada frota fantasma e controles de exportação mais agressivos a fornecedores chineses. Também propõe tarifas ao comércio remanescente UE-Rússia, com recursos para Ucrânia.
A ideia central seria usar o comércio com a Rússia para apoiar a Ucrânia, com tarifas previstas entre 30% e 50% sobre importações e exportações. A tarifa de apoio à Ucrânia poderia render entre 11 e 16 bilhões de euros anuais, conforme estimativa do IfW.
Entre na conversa da comunidade