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Fim da escala 6×1 não gera ganhos de produtividade

Fim da escala 6x1 não garante ganhos de produtividade; empresas devem contratar mais, elevando custos e pressionando preços, com impactos em comércio e pequenas empresas

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  • A proposta de fim da escala 6×1 e redução de 44 para 40 horas semanais não deve garantir ganhos de produtividade, afirma o economista Felipe Tavares, da BGC Liquidez, em entrevista ao Hora H.
  • Tavares diz que a ideia de produtividade depende de manter o mesmo volume de produção com menos pessoas, o que é improvável na prática.
  • O cenário mais provável seria contratação de mais trabalhadores para manter a produção, elevando custos e pressionando preços.
  • Setores de serviços, como comércio, hotelaria e shoppings, podem ser os mais impactados, pois costumam operar sete dias por semana e precisar de mais funcionários.
  • Cerca de 95% a 97% das empresas do comércio são micro e pequenas, sem folga para absorver custos adicionais; há também a ameaça de inflação e deterioração do poder de compra das famílias.

O fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, discutidos no Congresso, não deve gerar os ganhos de produtividade prometidos. A avaliação é do economista Felipe Tavares, da BGC Liquidez, em entrevista ao Hora H.

Tavares aponta que a premissa de aumento de produtividade com a mudança é muito frágil. Segundo ele, a economia brasileira tem histórico de dificuldade em obter ganhos consistentes de produtividade nas últimas décadas.

Para justificar o raciocínio, o argumento apresentado é matemático: menos trabalhadores mantendo a mesma produção. No entanto, a experiência mostra que manter o volume exige contratar mais gente, elevando custos.

A aposta, conforme o economista, é de que bastaria manter a produção sem ampliar o quadro de funcionários. Como isso é improvável, o cenário mais provável envolve maiores despesas empresariais.

Isso pode levar a ajustes de custos, pressionando preços e alimentando inflação. O resultado seria prejudicial ao equilíbrio macro, especialmente se a produção recuar.

Setores mais afetados

Tavares destacou que serviços, comércio, hotelaria e shopping seriam os mais impactados, por operarem com jornadas longas diariamente. Nesses setores, cobrir turnos adicionais tende a exigir mais contratações.

Segundo o economista, de 95% a 97% das empresas do comércio são micro e pequenas, com pouca margem para absorver custos extras. A possibilidade de repassar valor ao consumidor é limitada.

Além da elevação de custos, há a questão da escassez de mão de obra. Em supermercados e comércio, a dificuldade para encontrar trabalhadores complica a implementação da nova jornada.

O especialista alerta ainda para potenciais impactos sociais. A combinação de inflação e redução de produção pode reduzir o poder de compra das famílias, piorando o contexto atual.

Para concluir, Tavares afirma que apresentar ganho de produtividade com menos jornadas pode soar atraente, mas, na prática, nem sempre é viável ou suficiente para manter desempenho sem custos adicionais.

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