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Indústria têxtil de SC aos 100 anos mira recuperação com R$ 550 milhões

Teka avança na recuperação judicial com assembleia de credores em breve e plano para faturar mais de R$ 550 milhões em 2026, com produção própria

Teka: indústria de artigos de cama, mesa e banho tem sede em Blumenau, polo têxtil de Santa Catarina (Divulgação)
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  • A Justiça afastou a falência da Teka e determinou a continuidade da recuperação judicial, com a primeira assembleia de credores em quase 14 anos prevista para ocorrer em breve.
  • A Teka, que completa 100 anos em 2026, opera em duas plantas (Blumenau, Santa Catarina, e Artur Nogueira, São Paulo) e emprega cerca de 1,5 mil trabalhadores diretos.
  • O plano projeta faturamento superior a 550 milhões de reais em 2026, ante 476 milhões de reais em 2025, com foco na produção própria e redução de importações (hoje menos de 2% das vendas).
  • Foram investidos cerca de 37,5 milhões de reais para modernizar as fábricas, ampliando a capacidade em Artur Nogueira e modernizando Blumenau.
  • O passivo passa de 3,5 bilhões de reais, sendo a maior parcela a dívida federal de cerca de 2,3 bilhões, com renegociação em andamento; prioridade é quitar trabalhadores, com acordo homologado de cerca de 70 milhões de reais.

A Teka, indústria centenária de Blumenau, em Santa Catarina, prepara a primeira assembleia de credores em quase 14 anos. A falência foi revogada pela Justiça, e a empresa pretende discutir o futuro da recuperação judicial iniciada em 2012. A reunião deve ocorrer nas próximas semanas.

A companhia fabrica artigos para cama, mesa e banho em duas plantas, em Blumenau (SC) e Artur Nogueira (SP). Mantém cerca de 1,5 mil empregos diretos e quase 2 mil pessoas no total. O passivo declarado supera 3,5 bilhões de reais, valor anterior às renegociações em curso, conforme o CEO Rogério Marques.

A Teka celebra o centenário em 2026 e já projeta faturamento acima de 550 milhões de reais em 2026, ante 476 milhões em 2025. O plano de recuperação foi protocolado em dezembro de 2025 e a assembleia de credores deve ser convocada em breve, segundo o executivo.

A mudança estratégica ocorreu após o aumento de custos de frete e de matérias-primas, agravado pela guerra econômica no Golfo Pérsico. A empresa decidiu abandonar a produção de itens importados para focar na fabricação própria, priorizando margens de lucro.

Mudança de foco para produção própria

Hoje, os importados vendem menos de 2% do faturamento, restritos a itens como microfibra que não são fabricáveis internamente. Segundo Marques, a meta é crescer com qualidade e não apenas com volume, buscando maior rentabilidade.

No último ano, a Teka reforçou o capital de giro com a criação da Teka Trading, empresa voltada à gestão logística. A unidade já está certificada em duas grandes redes hospitalares do país, com distribuição central em interior paulista para atender prazos mais ágeis.

Investimentos e produção

A empresa investiu cerca de 37,5 milhões de reais na modernização das fábricas, financiados por arrendamento com fornecedores. Blumenau ganhou melhoria de equipamentos de beneficiamento, enquanto Artur Nogueira ampliou a linha de confecção automatizada, com foco em tecidos planos.

Cada planta intensifica seu eixo principal: Blumenau, felpudos, toalhas e banho; Artur Nogueira, tecidos planos. A maior parte dos equipamentos já opera, e a conclusão da última etapa deve ocorrer em junho de 2026. A Teka abriu loja-conceito e lançou um e-commerce próprio em 2026.

Dívida e renegociações

O passivo de 3,5 bilhões de reais é considerado pelo grupo como não refletindo a realidade econômica, por ter sido calculado antes das renegociações. A maior parcela, cerca de 2,3 bilhões, é de dívida federal, cuja renegociação está em estágio avançado e deve reduzir o montante em mais de 90%.

A empresa negocia com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e com o governo de Santa Catarina sobre créditos de ICMS e IPTU, esperando homologação para refletir as mudanças no balanço. A prioridade é honrar o acordo trabalhista de 70 milhões de reais com cerca de 18 milhões já reservados.

A Teka afirma que, com a recuperação reconhecida pela Justiça, a liberação de recursos vinculados a esse acordo deverá ocorrer nos próximos dias. A gestão mantém a meta de manter trabalhadores e credores em consenso para avançar.

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