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Pautas-bomba: por que preocupam governo em ano eleitoral

Pautas-bomba podem gerar impacto superior a R$ 2 trilhões em dez anos, pressionando a dívida pública e os juros, com governo avaliando vetos ou ação no STF

Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda — Foto: Washington Costa/MF
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  • Pautas-bomba são propostas que aumentam gastos ou reduzem receitas, pressionando as contas públicas.
  • A Fazenda calcula que as pautas em tramitação podem gerar impacto superior a dois trilhões de reais nos próximos dez anos.
  • Principais itens: renegociação de dívidas rurais (aproxi­madamente um vírgula quatro trilhões de reais), PEC das Igrejas (perda de cerca de cem bilhões), aposentadoria dos agentes comunitários de saúde (custo próximo de quinhentos bilhões) e piso salarial para médicos e dentistas (impacto estimado em quinhentos bilhões).
  • Governo trabalha para barrar avanços, defendendo que toda despesa tenha fonte de financiamento e avaliando vetos ou ação no STF caso não haja compensação orçamentária.
  • O tema também aumenta a tensão com o Congresso, e o STF acompanha o debate, com sinalizações de maior responsabilidade fiscal.

O termo pautas-bomba voltou ao centro do debate após a aprovação de projetos no Congresso Nacional. O Ministério da Fazenda aponta que as medidas podem ampliar gastos ou reduzir a arrecadação em valores bilionários. A ideia é pressionar as contas públicas com despesas permanentes ou quedas de receita.

A expressão descreve propostas legislativas que elevam o gasto público ou reduzem a receita do governo, o que pode criar desequilíbrios fiscais se não houver contrapartidas. O tema ganhou força em ano eleitoral, quando votações têm maior impacto político.

Segundo a Fazenda, o conjunto de propostas em tramitação pode somar um impacto superior a R$ 2 trilhões ao longo de dez anos. Entre elas estão a renegociação de dívidas rurais, a PEC das Igrejas, a aposentadoria de agentes de saúde e o piso para médicos e dentistas.

Impactos estimados

Estimativas oficiais apontam:

  • Renegociação de dívidas rurais (PL 5122/23): cerca de R$ 1,4 trilhão.
  • PEC das Igrejas (PEC 5/23): perda de arrecadação de ~R$ 100 bilhões.
  • Aposentadoria de agentes comunitários de saúde (PEC 14/21): ~R$ 500 bilhões.
  • Piso para médicos e dentistas (PL 1365/22): ~R$ 500 bilhões.

A Fazenda aponta que esses valores superam a economia esperada com a reforma da Previdência de 2019 (R$ 855 bilhões em dez anos). O governo defende responsabilidade fiscal diante desse cenário.

Ações do governo

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem criticado as propostas, enfatizando a necessidade de fontes de financiamento para novas despesas. O gabinete sugere vetos a projetos sem compensação orçamentária.

Nos bastidores, o governo avalia levar ao STF ações para barrar propostas, caso não haja previsão de compensação. A ideia é evitar impactos fiscais desproporcionais.

Relação com o Congresso

A discussão ocorre num momento de desgaste entre Palácio do Planalto e o Congresso, especialmente o Senado. A relação tensa complica as negociações de temas fiscais considerados prioritários pela equipe econômica.

A troca de posição entre o presidente Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, aumenta a dificuldade de conduzir votações relevantes para o equilíbrio das contas públicas.

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