- Banco Central Europeu elevou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual e revisou a inflação prevista para 3% neste ano, mantendo o compromisso de trazer os preços à meta de 2% no médio prazo.
- Nos Estados Unidos, a inflação atingiu 4,2% no acumulado de maio, com o núcleo também em alta, influenciada pela elevação dos preços de energia e petróleo.
- O economista Reinaldo Cafeo diz que o cenário é de inflação de oferta, com o petróleo caro elevando custos de transporte e produção, dificultando o controle dos preços.
- Os bancos centrais adotam postura preventiva, aumentando juros para sinalizar estabilidade de preços, mesmo que isso não freie imediatamente a demanda.
- No Brasil, mercados mantêm a previsão de Selic em torno de 13,5% e o Copom deve manter os juros; fatores como serviços, indústria, dívida pública e dólar acima de R$ 5,10 complicam cortes a curto prazo.
A inflação global volta a ganhar atenção diante da escalada de conflitos no Oriente Médio, que afeta o petróleo e a energia. Economistas destacam que a alta não é apenas de demanda, mas também de custos, o que complica o controle de preços em várias regiões.
BCE sobe juros e eleva projeção de inflação
O Banco Central Europeu revisou a inflação esperada para este ano para 3%, acima dos 2,6% anteriores, e confirmou o objetivo de chegar a 2% no médio prazo. Em resposta, houve alta de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, o primeiro aumento desde 2023.
Inflação nos EUA segue pressionada
Nos Estados Unidos, a inflação anual chegou a 4,2% em maio, puxada pelos preços de combustíveis e energia após tensões no Oriente Médio. Mesmo o núcleo da inflação mantém resistência, ampliando a preocupação com o ritmo de aperto monetário.
Petróleo caro contamina toda a cadeia de preços
Para o economista Reinaldo Cafeo, o mundo enfrenta uma inflação de oferta: custos de produção sobem, elevando transporte, energia e bens. A produção petrolífera ficou mais cara pela redução de escoamento no estreito de Ormuz, ampliando desafios para o controle de preços.
Postura preventiva dos bancos centrais
Cafeo afirma que, apesar de juros servirem para frear demanda, bancos centrais atuam de forma preventiva para sinalizar compromisso com a estabilidade. A ideia é evitar que a inflação se agrave no futuro, com foco em previsibilidade para investidores e empresas.
Fed e Copom na agenda de decisões
Nos EUA, a expectativa é de manutenção dos juros pelo Federal Reserve na próxima reunião, com parte do mercado projetando novas altas até o fim do ano. No Brasil, o mercado passou a precificar Selic em 13,5% ao ano, dada a inflação mais resistente.
Perspectiva para o Brasil permanece cautelosa
Segundo Cafeo, a força de serviços e indústria, o peso da dívida pública e o dólar acima de 5,10 reais dificultam cortes no curto prazo. O Copom deve manter a Selic na próxima reunião, mantendo autonomia para decisões técnicas com transparência.
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