- IA continua tema dominante no Web Summit Rio 2026, mas o foco é agora produtividade, escala, governança e criação de valor, não apenas tecnologia.
- No setor financeiro, o tema foi escalabilidade da IA em operações críticas, com governança, segurança e execução em larga escala, segundo o Itaú.
- Setores e software em evidência: saúde com impulso da IA para eficiência; desenvolvimento de software com mudanças na velocidade de criação e entrega de produtos digitais; hegemonia do “vibe coding” ampliando acesso a ferramentas de desenvolvimento.
- Governança e gestão de risco ganham espaço: adoção da IA é decisão estratégica, exigindo transparência, responsabilidade e compatibilidade com objetivos de negócio.
- Nordeste brasileiro ganha relevância na agenda de inovação, indicando distribuição regional de oportunidades, talento e políticas de incentivo para a economia digital.
A inteligência artificial segue sendo o tema dominante no Web Summit Rio 2026, mas o debate deixou de enfatizar apenas a capacidade tecnológica. O foco passou a produtividade, escala, governança e criação de valor nas empresas e mercados brasileiros.
A programação reuniu executivos, empreendedores e lideranças para discutir como transformar IA em vantagem competitiva. Em vez de perguntas sobre quem usa IA, houve questionamentos sobre quem gera resultados sustentáveis com a tecnologia. O evento destacou casos práticos, governança e implementação.
Aplicações setoriais
No setor financeiro, o CIO do Itaú, Ricardo Guerra, destacou a escalabilidade da IA em uma organização regulada. A ideia central é ir além de projetos-piloto e integrar IA a operações críticas com governança e execução em larga escala.
Na saúde, Garrett Glass, da Open Health Technologies, apresentou a IA como infraestrutura operacional para lidar com alto volume de dados e demanda por eficiência, não apenas como promessa futura. O debate reforçou a necessidade de eficiência e qualidade no atendimento.
No desenvolvimento de software, a IA tem acelerado a criação e entrega de produtos digitais, segundo Nick Durkin, da Harness. Marcelo Lebre, da Replit, tratou do vibe coding e do acesso ampliado a ferramentas de desenvolvimento, favorecendo equipes menores e ciclos mais rápidos.
Governança e atuação corporativa
Milena Leal, Google Cloud, e Graciela Kumruian, Netshoes, trataram de gestão de risco, transparência e responsabilidade na implementação de IA. A observação é que adoção tecnológica envolve decisões estratégicas e confiança institucional como fatores de valor.
O Nordeste brasileiro recebeu atenção na agenda regional de inovação, com lideranças locais discutindo o papel da região na nova economia digital. A ideia é ampliar a visão além das áreas tradicionais de inovação e reconhecer oportunidades distribuídas pelo país.
Mindset e execução
Jubran Coelho, da KPMG Brasil, chamou a atenção para o conceito de mindset agêntico, útil a quem constrói negócios sob influência crescente da IA. A tecnologia demanda reorganização de decisões, times e processos para capturar valor com mais rapidez.
O consenso no Corporate Innovation Summit foi de que IA não substitui estratégia, liderança ou cultura, e sim amplia a capacidade de execução de organizações com objetivos claros. Startups de educação também mostraram uso prático da IA.
Impacto e futuro
Durante as mentorias, startups brasileiras apresentaram soluções em educação via IA, como redução de atividades operacionais de professores e personalização de aprendizagem. Essas aplicações apontam para ganhos econômicos e sociais relevantes.
Em síntese, o Web Summit Rio 2026 sinaliza uma transição: menos foco em modelos, mais em gestão e resultados. Organizações que conectarem IA a problemas reais tendem a obter ganhos operacionais difíceis de replicar.
Diogo Garcia é líder dos Programas de Startups da KPMG Brasil e cofundador da comunidade Confraria do Empreendedor.
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