- Promotores apreenderam o documento “Obrigações” com Artur Gomes da Silva Neto, preso novamente no dia 10 durante a Operação Ícaro, sugerindo continuidade do esquema de propinas na Sefaz-SP.
- O material cita recebimento de honorários da Fast Shop, negociação de dívida, empréstimos em moeda física e reativação de empresas ligadas ao esquema.
- A Fast Shop aparece como peça central da frente investigada; em agosto de 2025, o diretor da empresa foi preso sob suspeita de repassar cerca de R$ 400 milhões em propinas para acelerar créditos de ICMS.
- No total, foram apreendidos R$ 10 mil em espécie na residência de Artur; o patrimônio do ex-fiscal permanece congelado por ordem judicial, reforçando a suspeita de movimentação de recursos de origem irregular. Artur também mantinha 277 bitcoins, avaliados em mais de R$ 90 milhões, entre os registros apreendidos.
- Artur foi levado para a carceragem da Delegacia de Ribeirão Pires e, em seguida, para a Cadeia Pública de Santo André; juiz o chamou de comandante do maior esquema de corrupção da Sefaz-SP.
Artur Gomes da Silva Neto, conhecido no meio jurídico como o cérebro de um esquema de fraudes tributárias, voltou a ser preso na última quarta-feira, 10. A operação, vinculada à Operação Ícaro, apreendeu na casa do ex-auditor fiscal um documento intitulado Obrigações. Promotores indicam que o material sugere continuidade do esquema mesmo após a saída dos quadros da Fazenda.
Segundo o Ministério Público, Obrigações evidencia atuação na gestão de recursos ligados ao golpe. Trechos citados apontam recebimento de honorários, negociação de dívidas e reativação de empresas para movimentação financeira. Artur esteve preso desde agosto do ano passado e foi recapturado na semana passada.
A defesa de Artur, representada pelo criminalista Júlio César De Nigris Boccalini, afirmou que não há juízo de mérito pela imprensa sem análise completa dos autos. A Fast Shop, citada nos documentos, ainda não se manifestou sobre o assunto.
Fast Shop e desdobramentos
A Fast Shop ocupa posição central na linha de investigação ligada à operação. Em agosto de 2025, o diretor da empresa foi preso sob suspeita de repassar propinas para acelerar créditos de ICMS. Em maio, a empresa foi multada em mais de 1 bilhão de reais pelo governo estadual.
A Promotoria destaca que o documento Obrigações mostra Artur retomando atividades ligadas ao recebimento de dinheiro em espécie e à reativação de estruturas empresariais. A apreensão de R$ 10 mil em espécie reforça a avaliação de continuidade de movimentação financeira de origem duvidosa.
Artur foi encaminhado à carceragem da Delegacia de Ribeirão Pires e, posteriormente, à Cadeia Pública de Santo André. O patrimônio do ex-fiscal permanece congelado por ordem judicial, conforme relatório do MP. A ação foi registrada por volta das 6h de quarta-feira.
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