- A oferta de Copasa foi precificada em R$ 49,03 por ação, deságio de quase 20% frente ao último fechamento de R$ 58,50.
- A Equatorial Energia tornou-se acionista de referência com 30% da Copasa, investindo R$ 5,6 bilhões para a operação.
- O governo de Minas não exerceu a opção de venda de um lote suplementar de até 19 milhões de ações.
- A demanda atingiu R$ 65 bilhões, mas a disputa pela alocação foi alta, com critérios de rateio não tornados públicos.
- O preço mínimo foi definido em R$ 47,23 e houve discussão sobre a racionalidade da alocação e o impacto nos investidores.
A oferta de ações da Copasa foi precificada ontem em R$ 49,03 por papel, o mesmo valor pago pela Equatorial Energia para se tornar acionista de referência. O deságio em relação ao último fechamento de R$ 58,50 ficou em quase 20%. O processo lembra o “trem da alegria” visto na privatização da Sabesp, com demanda robusta e participação de investidores institucionais e varejo.
O Governo de Minas optou por não exercer a venda de um lote suplementar de até 19 milhões de ações. Ao todo, a operação movimentou R$ 8,38 bilhões, com a Equatorial investindo R$ 5,6 bilhões para comprar 30% da Copasa. A oferta também envolveu a participação de Sabesp e Aegea, entre outros players, em diferentes estágios do processo.
Demanda e rateio
A demanda chegou a cerca de R$ 65 bilhões, sendo aproximadamente R$ 18 bilhões de investidores de varejo, que tinham 10% de alocação obrigatória. A disputa pela alocação elevou a pressão por critérios de rateio, ainda não tornados públicos, gerando insatisfação entre gestores. O cenário lembrou a privatização da Sabesp, com diferenças de critérios e impactos na distribuição de ações.
Segundo fontes próximas ao processo, o rateio buscou reduzir o risco de movimentação de ações logo após a abertura, mas a falta de transparência sobre os critérios alimenta críticas de gestores do mercado. Um executivo descreveu a situação como controversa e descreveu a necessidade de regras públicas para maior clareza.
Participantes e desdobramentos
Além da Equatorial, cuja participação inicial já representa 30% da Copasa, outras interessadas avaliavam entrar no negócio. A Sabesp ponderou a participação, mas desistiu antes da etapa inicial. A Aegea chegou a apresentar proposta, que ficou aquém do preço mínimo definido pelo governo de Minas. O papel da Equatorial como investidor de referência manteve o deságio como componente central da operação.
Na prática, o preço de referência para o mercado funciona com o deságio para o investidor de referência, que assume obrigatoriedades como o lock-up de quatro anos. O deságio entre este preço de tela e as ordens de compra de institucionais reforça a assimetria percebida entre compradores e o público geral. Embora haja espaço para atuação pública do governo, a demanda não seria suficiente para sustentar um preço mais alto.
O preço da ação da Copasa caiu cerca de 4% ao meio-dia, para aproximadamente R$ 56,16, refletindo a reação inicial do mercado diante da operação. Os coordenadores da oferta foram BTG Pactual, Itaú BBA, Bank of America Merrill Lynch, Citigroup e UBS BB, com a atuação da Equatorial e da Bradesco BBI em funções de assessoria.
A privatização ocorre em um contexto de recentes episódios operacionais da Copasa em São Paulo e de críticas políticas associadas ao momento de venda. O mercado acompanha com cautela a evolução da operação e as informações de alocação, ainda não tornadas públicas.
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