- O varejo registrou queda real de 3,6% em maio de 2026, na comparação com maio de 2025, sendo a maior retração mensal desde a pandemia.
- A diminuição atingiu todas as regiões, com o Centro-Oeste registrando a maior queda (4,9%), seguido pelo Sudeste; estados como Goiás tiveram recuos expressivos (6,7%).
- Fatores macroeconômicos pesam: juros altos, inflação em itens essenciais e endividamento das famílias, levando a consumo mais seletivo e foco em gastos básicos.
- Calendário e Dia das Mães influenciaram o desempenho, com menor efeito de feriados em 2026 e base de comparação mais elevada para o segmento.
- Serviços foram o grupo mais afetado (queda de 8,9%), com impactos também em bares, restaurantes e em bens duráveis e não duráveis.
O varejo brasileiro registrou queda real de 3,6% em maio de 2026 ante o mesmo mês de 2025, segundo o ICVA da Cielo. O resultado aponta a maior retração para maio desde o auge da pandemia e indica maior cautela entre consumidores.
O recuo é atribuído a juros elevados, inflação concentrada em itens essenciais e comprometimento da renda das famílias. A leitura reforça a piora que já vinha ocorrendo desde o início do ano e marca a maior queda mensal desde março de 2025.
Famílias adiam compras e priorizam itens básicos, segundo o estudo. O consumidor passa a ser mais seletivo, buscando preço e promoções antes de fechar uma compra.
O desempenho variou por região, com o Centro-Oeste registrando a maior queda, de 4,9%. O Sudeste teve a segunda maior retração, em ritmo próximo ao observado em meses anteriores.
Nordeste caiu 3,1%, Norte 2,4% e Sul 1,9%. Entre os estados, Amapá teve crescimento de 3,1% e Sergipe, 0,9%. Goiás registrou a maior queda, de 6,7%, seguido de São Paulo, -5,4%.
O calendário também pesou. Em maio de 2025 houve feriado em sexta-feira ligado ao Dia do Trabalhador, favorecendo consumo; neste ano, o feriado caiu em dia diferente, reduzindo o efeito positivo.
O Dia das Mães teve efeito menor em 2026 (3,6%), ante 2025 (6,3%), elevando a base de comparação. Entre os setores, serviços sofreu retração de 8,9%, com turismo e transporte entre os principais impactos.
No varejo de bens duráveis e semiduráveis, materiais de construção, vestuário e artigos esportivos tiveram os maiores recuos. Entre bens não duráveis, drogarias, supermercados e hipermercados também registraram queda.
O ambiente macroeconômico segue desafiador. O IPCA-15 avançou 0,6% em maio, acumulando 4,6% nos últimos 12 meses. Itens com maior alta: Alimentação e Bebidas (1,4%), Habitação (1,0%), Saúde e Cuidados Pessoais (1,1%).
O endividamento das famílias permanecia elevado, com 49,8% do total do sistema financeiro comprometidos em março. O peso da renda concentrada também aparece, com 29,3% de comprometimento da renda.
Para as empresas, o cenário é duro: a taxa Selic está em 14,5% ao ano e a inadimplência entre CNPJs alcançou cerca de 9 milhões de dívidas em atraso. A Cielo aponta que esse ambiente explica a redução do consumo e maior sensibilidade de setores de serviços e itens de maior valor.
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