- Durante o Garda Wine Stories, no norte da Itália, produtores e especialistas discutiram como responder às mudanças de consumo sem descaracterizar o vinho.
- O Consórcio Garda DOC anunciou novidades, incluindo Garda Müller Thurgau em versões tranquilas, frisante e espumante, e Garda Rebo para tintos tranquilos, além de espumantes monovarietais como Garda Spumante Garganega, Chardonnay e Corvina Rosé.
- A principal mudança foi a aprovação de uma graduação alcoólica mínima de nove por cento para o Garda Garganega, visando vinhos mais leves sem retirar álcool após a produção.
- A jornalista Alessandra Piubello mostrou que a desalcoolização é invasiva e pode comprometer a identidade sensorial do vinho, destacando que o álcool é parte estrutural do produto.
- O debate reconhece o crescimento do segmento NoLo, ainda considerado nicho, e a proposta do Garda é evoluir pelo manejo no vinhedo para manter identidade e território.
O Garda Wine Stories, realizado no norte da Itália, discutiu como responder às mudanças de consumo sem descaracterizar o vinho. O encontro reuniu produtores, jornalistas, enólogos e profissionais do setor para debater o futuro da bebida. O foco foi entender qual pode ser o próximo formato do vinho.
O evento ocorreu na região do Lago de Garda, entre Lombardia e Vêneto. A Fundação Garda DOC promoveu o debate sobre reposicionamento da denominação e novas categorias, incluindo espumantes e vinhos de menor graduação alcoólica. A ideia é manter a identidade territorial diante de mudanças de mercado.
Entre as novidades apresentadas, o presidente do Garda DOC destacou a inclusão de Garda Müller Thurgau em versões tranquilas, frisante e espumante, além do Garda Rebo para tintos tranquilos. Também foram criadas categorias de espumantes monovarietais, como Garganega, Chardonnay e Corvina Rosé.
A mudança que ganhou mais foco foi a flexibilização da graduação alcoólica do Garda Garganega para 9%. A meta não é retirar álcool do vinho, mas produzir vinhos naturalmente mais leves desde o vinhedo, preservando o vínculo com o território.
Um dos momentos de maior repercussão foi a palestra da jornalista Alessandra Piubello, que apresentou um estudo sobre a categoria NoLo (No Alcohol e Low Alcohol). A análise considera críticas ao processo de desalcoolização e seus impactos.
Piubello explicou que bebidas sem álcool costumam ter até 0,5% de álcool, enquanto 0,5% a 9% caracteriza o low alcohol. Ela aponta que a remoção de álcool altera a composição do vinho, afetando estrutura, sensorial e equilíbrio gustativo.
Segundo a pesquisadora, a desalcoolização envolve riscos de perda de polifenóis e requer ajustes adicionais para recompor aromas e sabor, muitas vezes com uso de açúcares residuais, aromatizantes e conservantes. O álcool também funciona como conservante natural.
A apresentação destacou ainda impactos ambientais e econômicos: processos como destilação a vácuo, osmose reversa e sistemas híbridos consomem energia, água e investimentos relevantes, elevando a pegada de carbono da produção.
No contexto italiano, a discussão levou em conta a presença de operações de desalcoolização em outros países. O debate questionou até que ponto produtos amplamente transformados continuam a pertencer ao universo cultural do vinho.
Apesar das divergências, dados mostraram crescimento do segmento NoLo no mercado internacional, com atração principalmente entre jovens e em países como Reino Unido, EUA, Alemanha, Canadá e Austrália. Na Itália, o NoLo representa menos de 0,5% das vendas.
Diante desse cenário, Garda propõe uma saída integrada: reduzir o teor alcoólico do Garda Garganega para 9% sem recorrer à desalcoolização. A estratégia enfatiza manejo varietal, maturação mais lenta e técnicas vitivinícolas para manter frescor e identidade.
O Garda Wine Stories não ofereceu respostas definitivas, mas estimulou uma reflexão sobre a evolução do vinho sem perder suas raízes territoriais. O debate aponta para uma convivência entre tradição e inovação no setor. Garda participa ativamente dessa conversa.
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