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Posse de bola sem estratégia não garante o placar

Aumento da reinjeção acompanha queda na disponibilidade de gás, sugerindo mercado pouco competitivo e preços ainda altos no Brasil

Os articulistas afirmam que o mercado evolui, mas ainda distante de uma estrutura robustamente concorrencial; na imagem, duto de gás natural
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  • A reinjeção de gás no Brasil aumentou rápido: em janeiro, o volume de reinjeção chegou a 101 milhões de m³/d, contra 36,3 milhões de m³/d em janeiro de 2018, quando a disponibilidade de gás era de 58,8 milhões de m³/d.
  • A disponibilidade de gás para o mercado caiu de 52 milhões de m³/d em 2022 para 44,6 milhões de m³/d em janeiro deste ano, enquanto a reinjeção subiu para 101 milhões de m³/d.
  • A prática de reinjeção serve para manter pressão de reservatórios e pode ajudar na produção de petróleo, mas reduz a oferta disponível no mercado interno e afeta a competição.
  • O mercado de gás natural livre está crescendo, com estimativas da Wood Mackenzie indicando movimentação superior a 13 milhões de m³/d em 2025, porém três agentes responderam por 68% dos contratos até setembro de 2025, indicando concentração ainda elevada.
  • Em maio, a maior produtora brasileira anunciou reajuste médio de 19,2% no preço do gás às distribuidoras, produto de uma fórmula que envolve Brent, câmbio e Henry Hub, o que contrasta com discursos públicos sobre ampliação de oferta e competitividade.

No futebol, posse de bola não garante vitória. No Brasil, o mesmo ocorre no mercado de gás natural: produção em alta não se traduz em oferta efetiva no mercado. Dados mostram ganhos expressivos na reinjeção desde 2015, com o avanço das grandes plataformas do pré-sal.

Entre 2018 e 2022, a disponibilidade de gás caiu de 58,8 para 52 milhões de m³/d, enquanto a reinjeção subiu de 36,3 para 68 milhões de m³/d. Em janeiro deste ano, a disponibilidade recuou para 44,6 milhões de m³/d, e a reinjeção atingiu 101 milhões de m³/d.

Essas dinâmicas refletem objetivos técnicos, como manter pressão de reservatórios e otimizar produção de petróleo, além de soluções para limitações de infraestrutura. Contudo, a consequência no mercado é a redução da oferta doméstica e da liquidez.

A segunda questão central é econômica: reservas não reduzem preço por si só. O custo está na disponibilidade efetiva de moléculas, infraestrutura de escoamento e competição. Mesmo com mais gás no subsolo, pouca oferta reduz concorrência.

Em maio, a Petrobras anunciou reajuste médio de 19,2% no preço do gás natural às distribuidoras, feito com base em Brent, câmbio e Henry Hub. A prática contrasta com a narrativa oficial de ampliar a oferta e melhorar a competitividade.

Quando a reinjeção é alta e os preços sobem, o gás brasileiro permanece menos competitivo para a indústria. Parte significativa da produção continua fora do mercado, limitando a formação de preços e a entrada de novos agentes.

O mercado livre de gás cresce, estimulado pela abertura regulatória. Organizações indicam movimento superior a 13 milhões de m³/d em 2025, mas três players já concentram 68% dos contratos até setembro de 2025, evidenciando concentração apesar da abertura.

A diferença entre produção abundante e oferta efetiva afeta setores como química, fertilizantes, vidro, siderurgia, papel e alimentos, que dependem do gás como insumo. Preços elevados reduzem margens e investimentos, pesando na competitividade industrial.

O Brasil tem reservas, produção em expansão e demanda potencial. No entanto, para realizar ganhos estruturais, é preciso transformar a abundância geológica em oferta real e preços competitivos, regularidade de fornecimento e profundidade de mercado.

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