- A BBC investigou gestores de contas do OnlyFans no Reino Unido, revelando abusos, ameaças e controle sobre criadoras que aceitavam gestão para aumentar ganhos.
- Relatos incluem publicidade enganosa, alteração de dados de acesso e, em alguns casos, violência física; há menções de contratos que garantem até 50% a 70% dos lucros ao gestor.
- Grupos no Telegram, como o OFM Empire, discutem técnicas de recrutamento, tomada de controle e lucros, com termos que chegaram a classificar essas práticas como “método cafetão”.
- Autoridades e especialistas afirmam que o OnlyFans não está shielding as criadoras o suficiente; comissária contra escravidão moderna e o Ofcom dizem que plataformas precisam agir com mais rigidez.
- O OnlyFans afirma que não endossa terceiros e que protege usuários, enquanto casos relatados mostram criadoras afastando-se de gestores e alguns pagamentos chegando a ser desviados ou inventados.
Dezenas de criadoras do OnlyFans relatam exploração por gestores que prometiam ampliar ganhos na plataforma, com relatos de abusos, intimidação e retenção de parte dos lucros. A BBC apura casos no Reino Unido, onde o OnlyFans é sediado.
A investigação, realizada pela BBC Three, ouviu 60 criadoras no Reino Unido e vasculou um grupo privado no Telegram com cerca de 24 mil membros, chamado OFM Empire. Os relatos apontam prática exploratória, ameaças e controle de contas.
Rebecca, criadora de 29 anos no sul do País de Gales, diz ter entrado para uma agência ao ser prometida ajuda para aumentar rendimentos. Ao ganhar controle sobre a conta, ela aponta abusos, bloqueio de saída social e mensagens de ameaça ligadas à filha.
Segundo a reportagem, o comportamento elevou o controle após a alteração de senhas e dados de pagamento. Hematomas e violência física foram relatados por Rebecca, que apresenta fotos para sustentar o relato.
Outras criadoras descrevem contratos com gestores que ficam com parcelas altas dos ganhos, acesso total às contas e sanções para quem tenta encerrar o vínculo. Relatos citam cobrança de valores para encerrar contratos e pressões para produção de conteúdo.
Contexto e evidências
A BBC documenta mensagens de recrutamento e instruções para tomar controle de contas, com termos como “método cafetão” usados para descrever táticas que buscam lucro com apelo à vulnerabilidade das criadoras. Em alguns casos, houve disseminação de dados bancários alterados.
O OnlyFans afirma que aplica controles rigorosos de verificação, pagamentos e monitoramento de contas, e que não endossa terceiros, incluindo agentes. A plataforma disse agir diante de sinais de irregularidades e que não interfere em relações contratuais fora da plataforma.
Reação de autoridades e especialistas
Especialistas em direitos humanos ressaltam que o OnlyFans tem obrigação de proteger criadores contra exploração e violência. A comissária de escravidão moderna do Reino Unido afirma que as evidências sugerem necessidade de avaliação governamental e possivelmente licenciamento de agentes.
O Ofcom, regulador britânico, declarou que relatos são preocupantes e que plataformas devem avaliar riscos de uso para facilitar crimes. A BBC destaca ainda que crimes fora do ambiente digital não ficam cobertos pela lei de segurança online.
Perspectivas e impactos
Especialistas observam que estruturas de gerenciamento precisam de regulação para evitar modelos de negócio exploratórios. Criadoras apontam que a ausência de fiscalização facilita abusos e leva a relações de servidão contratuais com OFMs.
Algumas vítimas relatam melhora ao romper com gestores, mas o caso evidencia que a proteção aos criadores ainda depende de mudanças legais, melhores práticas de plataformas e maior vigilância pública.
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