- No Vinexpo Hong Kong, especialistas analisaram o mercado de vinhos na China, destacando queda de 70% no volume de importações de vinho entre 2018 e 2025.
- Pandemia, desaceleração econômica e medidas de austeridade mudaram hábitos de consumo e reduziram banquetes e consumo empresarial, impactando o setor de F&B e lists de vinhos.
- Transparência de preços e o modelo de compra instantânea via plataformas como Waima pressionam listas de restaurantes; a segmentação de portfólios é vista como solução.
- Premiumização ocorre principalmente no topo do mercado; vinhos de Bordeaux podem servir como referência de preço para atrair consumidores sem reduzir margens amplamente.
- Consumidor chinês jovem, digital e que busca prazer está no centro da estratégia, com foco em novas experiências e recrutamento de novos drinques, além de maior destaque para vinhos domésticos.
No Vinexpo Hong Kong, especialistas do mercado chinês debateram a recuperação do setor de on-trade diante de dificuldades. O encontro avaliou como a indústria evolui na China, diante de mudanças de consumo e do cenário macroeconômico.
O painel contou com Lu Yang MS, Oscar Nagore e Ian Ford, que destacaram a queda de estoque de garrafas em restaurantes, a partir de dados do período 2018-2025. O preço médio de importação por caixa de nove litros quase dobrou entre 2020 e 2025.
Três forças atuam no momento: transparência de preços, compras instantâneas e hábitos de consumo em mudança, somadas ao BYO e à restrição de corkage. A prática de Waima facilita a entrega rápida de vinho aos clientes, impactando toda a cadeia.
Para Nagore, a solução passa pela segmentação de portfólios. É preciso reservar linhas específicas para instant retail, online e on-trade, com uma gestão de SKUs bem definida. Lu Yang complementa com estratégia de aquisição integral de lotes por meio de importadores.
Segundo Lu Yang, a席 estratégia de precificação deve reduzir margens de listagem. Bordeaux surge como referência de preço e confiança, com margens menores que ajudam a perceção de custo-benefício. Ford recomenda parcerias com plataformas de entrega para manter presença digital com cardápio via QR code.
A premissa de premiumização ficou mais clara: o foco está no topo do mercado, para restaurantes com cheques médios acima de 2000 RMB. Restaurantes de nível médio já recorrem ao BYO e não valorizam tanto a carta de vinhos. Em alguns casos, a melhoria gastronômica supera a venda de vinhos.
Nagore observa mudança na atuação gastronômica, com maior valorização de culinárias regionais chinesas e menos dependência de restaurantes ocidentais em cidades de segunda linha. A premiumização, contudo, é mais viável em vinhos domésticos de regiões como Shangri-la, que figuram como exemplos de maior aceitabilidade de preço pelo consumidor.
A experiência do consumidor vira eixo central. Um público mais jovem, conectado e buscando prazer, impulsiona novas oportunidades. A EMW Wines já reflete esse movimento, com aumento de vinhos brancos e uma tendência de estilos mais leves entre os vermelhos.
No âmbito de inovação de mercado, eventos como o Bunch, em Xangai, ajudam a atrair a geração Gen Z com experiências não formais de vinhos. A proposta é ampliar a base de consumidores sem manter o formato tradicional de degustação.
O consenso entre os participantes é de que a premiumização existe, mas em formato diferente. Lu Yang recomenda tratar o cliente como unidade de premiumização, ampliando a jornada de consumo. Ford ressalta a chance de ampliar participação no mercado de Baijiu, estimulado por uma parcela de 2 a 3% do segmento, o que poderia impulsionar significativamente o vinho importado na China.
A visão comum é de adaptação: o modelo antigo não retorna, e o crescimento depende de desenvolvimento do consumidor, disciplina de canais e conexão com uma geração que escolhe beber por prazer. Afirmaram que este é o momento para construir o futuro desejado.
Entre na conversa da comunidade