- Em 2026, o Brasil registrou a primeira queda histórica de produtores orgânicos, chegando a 23.728 unidades, ante 25.178 em 2025 (queda de 5,7%).
- A retração ocorreu principalmente pela saída de grandes grupos extrativistas nos estados do Pará e Maranhão, com impacto no cadastro quando certificações coletivas são abandonadas.
- O Nordeste mostrou crescimento expressivo, com Paraíba registrando 246 novas unidades, Bahia 209, Rio Grande do Norte 169 e Pernambuco 137.
- O algodão orgânico impulsionou o avanço na Paraíba e no Rio Grande do Norte, enquanto a Bahia se destacou pela diversificação e pela Rede Povos da Mata, referência em certificação participativa.
- Pela primeira vez, em 2026, os Sistemas Participativos de Garantia superaram a certificação por auditoria tradicional, com 9.788 unidades produtivas contra 8.855; o setor também enfrenta queda de investimentos públicos, que caiu para R$ 900 mil neste ano, ante R$ 7,5 milhões em 2016.
O Brasil registrou em 2026 a primeira queda histórica no número de produtores orgânicos, totalizando 23.728 unidades, ante 25.178 em 2025. A queda foi de 5,7% e não significa, segundo especialistas, um recuo do setor como um todo.
O Instituto Brasil Orgânico (IBO) aponta que a retração ocorreu principalmente pela saída de grandes grupos extrativistas em estados como Pará e Maranhão, ligados a cadeias produtivas específicas. Quando uma empresa abandona a certificação coletiva, centenas de produtores deixam o cadastro de uma vez.
Nordeste impulsiona a produção orgânica
Ao contrário do Norte, cuja configuração mostrou redução, o Nordeste registrou crescimento expressivo em 2026. A Paraíba liderou com 246 novas unidades, seguida pela Bahia (209), Rio Grande do Norte (169) e Pernambuco (137).
O algodão orgânico teve papel decisivo na expansão paraíba e potiguar, enquanto a Bahia avançou pela diversificação e pela atuação da Rede Povos da Mata, referência em certificação participativa.
Certificação participativa em destaque
Pela primeira vez no Brasil, os SPGs (Sistemas Participativos de Garantia) superaram a certificação por auditoria tradicional, com 9.788 unidades produtivas sob SPG e 8.855 sob auditoria.
Para o IBO, esse movimento indica fortalecimento de arranjos coletivos e territoriais, ampliando o alcance regional e abrindo espaço para novos modelos de certificação.
Desafios e perspectivas
Mesmo com o avanço regional, o setor enfrenta redução de investimentos públicos. Este ano foram destinados apenas R$ 900 mil ao fomento da atividade, ante R$ 7,5 milhões em 2016.
O presidente do IBO ressalta a necessidade de fortalecer as articulações regionais para monitorar gargalos e sustentar o crescimento. Existem sinais de reorganização territorial da produção orgânica brasileira.
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