- Hedge funds aumentaram apostas contra dívida de longo prazo e ações das montadoras europeias Stellantis, Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz, com aumento de posições vendidas no mercado europeu.
- Na Stellantis, mais de 18% de um título corporativo de € 800 milhões com vencimento em 2035 estava emprestado a descoberto até 12 de junho, acima de 14% no início do ano; posições vendidas semelhantes atingiam 7,2% de um título de € 500 milhões (2036) e 9,7% de um título perpétuo de € 1,8 bilhão.
- O short interest das ações da Stellantis subiu de 1% no fim de dezembro para 5,8%.
- A Volkswagen figurava entre as maiores apostas a descoberto no mundo, com 16,2% de um título perpétuo de € 750 milhões vendido a descoberto em junho; também houve alvo em seus demais títulos.
- A Mercedes-Benz teve 9,2% de um título de € 300 milhões com vencimento em 2030 vendido a descoberto, enquanto a BMW manteve posições vendidas em títulos de € 750 milhões (2035) e de € 500 milhões (2032 e 2033); as montadoras europeias enfrentam pressão de chineses que ganharam participação no mercado da UE e de demanda interna fraca.
Nos primeiros quatro meses, montadoras europeias perderam terreno para nos terceiros países. Hedge funds elevaram apostas contra dívida e ações da Stellantis, Volkswagen, BMW e Mercedes-Benz, com o objetivo de lucrar com quedas de preço diante de pressões setoriais.
Os fundos aumentaram posições vendidas em títulos de dívida de longo prazo e em títulos perpétuos emitidos pelas quatro montadoras. O Banco de Banca de Investimento e o Financial Times apontam que Stellantis figura entre os principais alvos da carteira de curto prazo desses investidores.
Entre os títulos da Stellantis, as apostas contra dívida de 2035 chegaram a mais de 18% de empréstitação em junho, frente a 14% no início do ano, segundo dados da S&P Global Market Intelligence citados pelo FT. Além disso, posições vendidas em títulos de 2036 e em um título perpétuo de 1,8 bilhão de euros também aparecem registradas.
No mercado de ações, o short interest da Stellantis subiu de 1% no fim de 2023 para 5,8% em junho, conforme o FT. A Volkswagen também registra alta de posições vendidas, especialmente em títulos perpétuos e em emissões subordinadas, com patamares de 16,2% em junho frente a menos de 9% no início do ano.
A BMW aparece com apostas vendidas em títulos de 2035, além de títulos de 2032 e 2033, segundo o Financial Times. A Mercedes-Benz tem posições vendidas crescentes em um título de 300 milhões de euros com vencimento em 2030, que passaram de 5,5% para 9,2% desde o começo do ano.
A pressão sobre as montadoras europeias vem de duas frentes: maior competição de chineses, que ganharam 8,5% do mercado da UE nos primeiros quatro meses, e demanda interna fraca no Velho Continente. Além disso, tarifas de importação nos Estados Unidos contribuem para o cenário.
A China tem ampliado presença na Europa com carros elétricos e híbridos a preços competitivos. O mercado europeu passou a ver chineses como concorrentes cada vez mais fortes, ampliando o espaço para estratégias de hedge. A percepção é de que o quadro pode ter natureza estrutural, não apenas conjuntural.
Em resposta, Stellantis, Volkswagen e Renault defenderam, neste mês, metas “Made in EU” para favorecer produção dentro da União Europeia. Paralelamente, europeus firmam parcerias com chineses para ampliar tecnologia e reduzir custos, buscando atualização de produtos e processos.
Enquanto isso, o apetite chinês no mercado europeu permanece firme, com BYD anunciando investimento próximo de 2 bilhões de euros até 2027 para desenvolver infraestrutura de recarga ultrarrápida na Europa, ampliando sua atuação para além do mercado doméstico.
Essas dinâmicas indicam ajuste estratégico tanto de investidores quanto de montadoras diante do cenário competitivo entre Europa e China, com impactos ainda incertos sobre ganhos, custos e estratégias de produção.
Entre na conversa da comunidade