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Ibovespa cai apesar do cessar-fogo entre EUA e Irã

Ibovespa fica no vermelho apesar do cessar-fogo; Petrobras pesa, fluxo estrangeiro recua e Copom pode encerrar o ciclo de cortes

Por que o Ibovespa cai mesmo com o cessar-fogo entre EUA e Irã? — Foto: Getty Images
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  • Ibovespa fechou em queda de 0,45%, aos 169.648 pontos; na semana, -0,87%; no mês, -2,38%; e no ano, caiu de 23% de valorização para 5,3%.
  • Mesmo com o cessar-fogo entre EUA e Irã, o mercado segue cauteloso diante de uma possível redução menor ou interrompimento do ciclo de cortes da Selic pelo Copom.
  • Petrobras foi a principal trava da carteira, segurando o movimento de alívio apesar da queda nos preços de futuros do petróleo.
  • Dólar à vista subiu 0,4%, para R$ 5,09, com desempenho misto na semana e no mês, e recuo de 7,33% no ano no mercado de câmbio.
  • Fluxo externo permanece desfavorável para a bolsa brasileira, elevando a atratividade de outras praças e fortalecendo a pressão sobre os ativos locais.

O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira (16), atingindo 169.648 pontos, com recuo de 0,45%. O pregão ocorreu apesar do cessar-fogo entre EUA e Irã e da expectativa de mais cortes de juros no Brasil. A sessão também foi marcada pelo viés negativo em ativos locais.

Ao longo da semana, o índice acumula baixa de 0,87%, e no mês a queda é de 2,38%. No ano, a valorização da carteira cedeu de 23% no auge, em abril, para 5,3% hoje. O giro financeiro ficou em 19,4 bilhões de reais, acima da média de 12 meses.

A Petrobras, com peso de cerca de 12% na carteira teórica, atuou como principal entrave ao desempenho do índice. Enquanto o petróleo recua, as ações da estatal perderam os ganhos obtidos em março, contribuindo para o recuo do Ibovespa.

Perspectiva de juros no Brasil

O factor local mais relevante envolve o ciclo de aperto monetário. Há expectativa de mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima sessão do Copom, ainda que haja consenso de que o ciclo de cortes pode encerrar em breve. O cenário mantém pressão sobre o viés de baixa das ações.

Os futuros de juros sinalizam firmeza de que o ciclo de cortes deve ganhar tração apenas no curto prazo. Investidores monitoram comunicado do Copom e indicadores de inflação para avaliar a continuidade dos cortes.

Fluxo de capitais e câmbio

O dólar à vista encerrou em 5,09 reais, alta de 0,4% na sessão. Na semana, a moeda acumula ganhos, e no mês já sobe perto de 0,9%. O recuo do Ibovespa ocorre em meio a saída de recursos estrangeiros e a menor atratividade de ações locais frente a novas teses globais.

Os estrategistas destacam que o fluxo externo foi responsável por boa parte do desempenho recente da bolsa brasileira desde o início de 2025, quando investidores institucionais reduziram posições em ações domésticas diante de riscos fiscais. Com o cenário externo mais favorável a mercados emergentes, outros mercados ganham atratividade.

Mudança de cenário para o fluxo de capitais

Com o fortalecimento de cenários políticos no Brasil, as perspectivas de fluxo externo para ações locais enfraquecem. Enquanto há maior apelo em mercados asiáticos por teses de tecnologia e IA, a bolsa brasileira enfrenta competição por capital e permanece sensível a mudanças de juros e condições fiscais.

No Brasil, a combinação de juros altos por mais tempo, inflação ligada a commodities e incertezas fiscais continua a restringir a demanda por ações. A visão de curto prazo aponta para volatilidade até que haja clareza sobre o ritmo de cortes da Selic e o caminho fiscal.

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