- A gestora IG4 fez uma oferta não vinculante para comprar créditos detidos por credores da Raízen, buscando influência na reestruturação financeira da empresa.
- A operação visa adquirir parte relevante desses direitos de cobrança para participar da recuperação e, possivelmente, controlar a raiz da decisão na reestruturação.
- A IG4 pretende reunir 50% mais um dos créditos que serão convertidos em ações da Raízen, conforme o plano de recuperação extrajudicial.
- O plano prevê a conversão de 45% da dívida em ações, a um preço de R$ 0,25 por papel, com a Shell propondo aporte de R$ 3,5 bilhões e Aguassanta, R$ 500 milhões.
- A Raízen já informou adesão de 80% dos credores ao plano, que inclui ainda 55% da dívida para alongamento de vencimentos entre 2032 e 2035; há desafios para IG4 alcançar acesso amplo a credores diversificados.
A gestora IG4 encaminhou uma oferta não vinculante para comprar créditos detidos por credores da Raízen. A operação visa influenciar o processo de reestruturação financeira da companhia, em linha com a atuação anterior da IG4 na Braskem, empresa que também enfrenta crise.
Esses créditos correspondem a dívidas da Raízen com bancos, investidores e detentores de títulos. A ideia da IG4 é adquirir parte relevante desses direitos de cobrança para ganhar influência no desfecho do ajuste financeiro da Raízen.
Estrutura da proposta e objetivo estratégico
A IG4 planeja reunir 50% mais um dos créditos que serão convertidos em ações da Raízen. O objetivo é obter participação acionária significativa conforme o plano de recuperação extrajudicial.
A raid de dívida envolvida gira em torno de cerca de R$ 65 bilhões, segundo fontes ligadas à IG4, parte integrante do plano apresentado pela Raízen. A Raízen informou que 80% dos credores já aderiram ao plano.
Detalhes do plano de recuperação
O plano prevê a conversão de 45% da dívida em ações da Raízen, a um preço de R$ 0,25 por papel, o que entregaria aos credores mais de 80% da empresa. Os restantes 55% seriam renegociados com prazos alongados.
A operação também envolve aportes de dinheiro novo: a Shell participaria com R$ 3,5 bilhões, e a Aguassanta, holding de Rubens Ometto, poderia aportar R$ 500 milhões.
Desafios e condições
A estratégia da IG4 enfrenta o desafio de acessar uma base pulverizada de credores, incluindo investidores estrangeiros, debenturistas e detentores de Certificados de Recebíveis do Agronegócio. A execução depende da participação de diversos credores na via de crédito que será convertida em ações.
O endividamento consolidado da Raízen chega a cerca de R$ 75,3 bilhões, com um passivo tributário estimado em R$ 24 bilhões. A diferença entre números divulgados reflete a diferença entre a dívida consolidada apresentada pela empresa e a parcela de dívida financeira incluída no plano de recuperação extrajudicial.
As alternativas previstas no plano incluem, além da conversão em ações, opções com vencimentos que vão até 2035 e, em cenários mais agressivos, descontos de até 80% com pagamento apenas em 2047, bem como pagamentos diferenciados para credores de menor valor.
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