- Japão e Brasil discutem o início de negociações para um acordo de parceria econômica entre o Mercosul e o Japão, visando diversificar fornecedores de minerais e energia, além de buscar alimentos confiáveis e rotas comerciais alternativas como o estreito de Ormuz.
- O país asiático procura novos fornecedores de minerais e energia, além de um parceiro estável para alimentos; o Brasil quer atrair investimentos em tecnologia e aumentar o valor agregado das exportações.
- O comércio entre Brasil e Japão somou US$ 11,6 bilhões em 2025, com o Brasil registrando déficit de US$ 562 milhões.
- As exportações brasileiras são lideradas por café, minério de ferro, frango e alumínio (quase 60% do total); o Japão importa principalmente peças de veículos, aparelhos de medição, motores e máquinas.
- Desafios incluem evitar que o acordo reforce o padrão de exportação de commodities e importação de bens industriais; há interesse japonês em terras raras e mineração, com financiamento já anunciado para mapeamento e extração em outros países.
O Japão busca reduzir a dependência de importação de energia, minerais e alimentos, ampliando parcerias estratégicas. O país negocia com o Mercosul em busca de um acordo de parceria econômica e de segurança para diversificar fornecedores e rotas comerciais, incluindo o estreito de Ormuz.
A aproximação ocorre em alto estágio, com o Japão enfrentando custos elevados de energia, tarifas protegidas e a ascensão tecnológica da China. A negociação com o Mercosul é parte de uma reconfiguração de suas frentes de comércio e indústria.
O comércio entre Brasil e Japão movimentou US$ 11,6 bilhões em 2025, com déficit brasileiro de US$ 562 milhões. O dinamismo envolve produtos variados, porém a concentração ainda é alta em commodities brasileiras.
Perfil do comércio entre Brasil e Japão
O Brasil exporta principalmente café, minério de ferro, frango e alumínio, que somam quase 60% das vendas para o Japão. Em contrapartida, o Japão compra peças de veículos, motores e máquinas, com menor concentração de 33,8%.
O Japão vende bens industriais e tecnológicos de alto valor agregado. O Brasil exporta alimentos e minerais, mantendo padrão similar aos demais parceiros do Mercosul, mais fortes em commodities que na indústria pesada.
Desafios e oportunidades do acordo
O acordo pode abrir o mercado japonês para produtos de qualidade brasileira, como carnes e tecnologia agroindustrial, desde que haja padrões sanitários compatíveis. O Brasil busca ampliar valor agregado e diversificar destinos para suas exportações.
Entretanto, há riscos. A abertura pode pressionar setores sensíveis da indústria brasileira e argentina, já antevendo competição europeia sem tarifas e chinesa com alta produção. O equilíbrio é essencial para ganhos sustentáveis.
Estrangeiros estratégicos e rota de abastecimento
O Japão mira novos fornecedores de minerais e energia, além de soluções para rotas críticas, como Ormuz. A expectativa é atrair investimentos para mineração e tecnologia, reduzindo vulnerabilidades a choques externos.
Para o Brasil, o foco é atrair investimento em tecnologia, ampliar o valor agregado e manter a competitividade. A parceria com o Mercosul pode facilitar exportação de insumos e possivelmente de produtos industrializados.
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