- Marcelo Zimet afirma que o Brasil tem uma cultura única e precisa ser entendido para marcas relevantes, independentemente do retorno global.
- Em 2021, diante do movimento de downtrade, a L’Oréal Brasil manteve o foco em inovação e valor agregado, preservando investimento em mídia e diferenciação de portfólio.
- O mercado de beleza no Brasil tem peso emocional, associado à autoestima e à expressão social, o que influencia desenvolvimento de produtos, embalagens, fragrâncias e campanhas.
- A diversidade brasileira é visto como vetor de inovação: diferenças de cabelo e tom de pele demandam soluções específicas e rios de categorias, não apenas produtos genéricos.
- O marketing digital mudou a relação com o consumidor, com uso de micro e nano-influenciadores para ampliar a capilaridade e exigir maior tolerância ao risco e confiança na qualidade do produto.
Marcelo Zimet, presidente da L’Oréal no Brasil, revelou em entrevista ao Repcast como a companhia ajusta sua estratégia no país, unindo inovação, diversidade, marketing digital e posicionamento institucional. O foco é entender a cultura local para traduzir negócios, consumo e responsabilidade em ações concretas.
Para o executivo, o Brasil não é apenas uma extensão de mercados globais. Empresas nacionais e multinacionais precisam compreender a cultura brasileira para criar marcas relevantes, principalmente em setores ligados à autoestima, comportamento e consumo frequente.
Observação final do diálogo: trabalhar no Brasil exige compreender uma cultura única, segundo Zimet, independentemente de a empresa ser brasileira ou internacional.
Inovação ganhou espaço em meio ao movimento de downtrade
Ao assumir a operação brasileira em 2021, Zimet encontrou pulso de mercado de beleza migrando para produtos de menor preço. Em vez de seguir essa tendência, a L’Oréal manteve o caminho da inovação, com itens mais valorizados e maior diferenciação para varejo e consumidores.
A estratégia preservou valor agregado e permitiu manter investimento em mídia, diferenciação de portfólio e percepção de qualidade, mesmo diante de inflação e custos mais elevados.
A ideia central é que a L’Oréal continua buscando inovação e valor agregado para parceiros e clientes, segundo o executivo.
Beleza no Brasil tem peso emocional no consumo
Segundo Zimet, o Brasil diferencia-se por associar beleza a autoestima, pertencimento e expressão social, ao contrário de mercados que concentram-se em benefícios funcionais. Esse curso influencia o desenvolvimento de produtos, embalagens, fragrâncias e campanhas.
Consumidores brasileiros valorizam experiências sensoriais e conexões emocionais, o que explica a relevância de iniciativas criadas localmente para a estratégia global do grupo.
Diversidade orienta produtos e decisões de marca
Zimet afirmou que a diversidade brasileira, com variados tipos de cabelo e tons de pele, exige soluções específicas. A empresa não lança produtos genéricos, mas desenvolve soluções e novas categorias voltadas a diferentes perfis.
Reconhecer diferenças reais entre consumidores aumenta a conexão local e reduz o risco de campanhas desalinhadas. A diversidade passa a integrar pesquisa, desenvolvimento, comunicação e execução comercial.
Marketing digital mudou a relação com o consumidor
A transformação envolve reduzir a dependência de mídia massiva e ampliar a atuação com micro e nanoinfluenciadores. Campanhas ganham capilaridade e conexão com consumidores reais, com maior tolerância ao risco.
A prática funciona quando há confiança na qualidade do produto e aceitação de liberdades criativas na mensagem final.
Reputação, inclusão e responsabilidade corporativa
No posicionamento institucional, Zimet diz que a L’Oréal evita temas político-partidários, mantendo agenda ligada a autoestima, saúde, inclusão, sustentabilidade e responsabilidade. A reputação exige coerência entre o discurso externo e a transformação interna.
A empresa realizou movimentos internos para ampliar a diversidade, incluindo recortes raciais dentro da organização e comparação com a realidade do mercado brasileiro, fortalecendo a representatividade do país na própria estrutura.
Brasil como referência de criatividade e resiliência
A visão do executivo também se baseia em experiência internacional. O brasileiro é visto como criativo, adaptável e resiliente, características associadas à cultura local e a histórico de lidar com instabilidade.
Esse perfil pode ser diferencial competitivo em mercados ágeis, com capacidade de testar soluções, ajustar estratégias e acompanhar mudanças rápidas de consumo, tecnologia e comunicação.
Disciplina, liderança e visão de longo prazo
Zimet também relaciona disciplina esportiva à gestão, citando triatlo e Ironman como exemplos de organização, equilíbrio e planejamento. Essas qualidades aparecem na condução de marcas em ambientes de alta exposição.
A entrevista aponta para uma reputação construída pelo dia a dia: inovação com valor agregado, escuta ao consumidor, diversidade incorporada ao negócio e responsabilidade mensurável. O Brasil funciona como laboratório de comportamento, cultura e estratégia para a beleza global.
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