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Quem paga mais impostos na América Latina? estudo analisa dados

Carga tributária recai sobre consumo na América Latina, enquanto renda e patrimônio recebem menos tributação, aprofundando a desigualdade

Grosso da arrecadação na América Latina é bancado pelos mais pobres, aponta Oxfam
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  • A Oxfam afirma que a política fiscal na América Latina arrecada pouco, é injusta e aprofunda a desigualdade, não cumprindo a função redistributiva.
  • A maior parte da arrecadação vem de impostos sobre consumo; tributos sobre renda, lucros e patrimônio têm peso baixo, tornando a cobrança regressiva.
  • A alta informalidade no mercado de trabalho, em torno de 46,7% dos trabalhadores, reduz a arrecadação direta e aumenta a dependência de impostos indiretos como o IVA.
  • A fortuna dos bilionários da região soma 622,9 bilhões de dólares, e a riqueza concentrada cresce mais rápido que a economia, sugerindo falhas na taxação de patrimônio.
  • Especialistas defendem reformas para tornar o sistema mais progressivo: ampliar a base tributária, reduzir privilégios injustificados e melhorar o cumprimento das regras, sem prejudicar o crescimento.

Ao longo da América Latina e do Caribe, a carga tributária é fortemente puxada pelo consumo, enquanto impostos sobre renda e patrimônio têm peso menor. Especialistas dizem que esse desenho fiscal perpetua a desigualdade ao invés de reduzi-la, comprometendo serviços públicos essenciais.

A Oxfam afirma que a política fiscal da região arrecada pouco, de forma desigual, piorando a distribuição de renda. A instituição aponta que quem sustenta o sistema é, proporcionalmente, quem menos tem, com a maioria da arrecadação vindo de impostos sobre consumo.

Para Verónica Paz Arauco, diretora de programas da Oxfam, a estrutura atual favorece os mais ricos em detrimento dos pobres, que destinam parcela maior da renda ao consumo, enquanto os mais ricos recebem benefícios em tributação do capital.

Essas assimetrias ficam explícitas quando comparamos a região com economias da OCDE. Em termos de peso do imposto sobre o PIB, a América Latina fica bem atrás dos países ricos, que costumam ter fiscais com carga acima de 30% do PIB.

No dia a dia, a dependência de impostos sobre consumo faz com que a arrecadação seja menos estável e mais sensível a ciclos econômicos. Impostos diretos e sobre patrimônio aparecem de forma relativamente discreta na região.

A tributação do patrimônio é quase inexistente, e grande parte da renda dos mais ricos advém de capital, o que amplia brechas fiscais. Benefícios e estratégias para reduzir a carga tributária sobre grandes fortunas também aparecem como fatores de distorção.

A informalidade no trabalho, que atinge quase metade da força de trabalho da região, reduz ainda mais a base tributária direta e aumenta a dependência de impostos indiretos como o IVA, segundo a Oxfam.

A fortuna conjunta dos bilionários da região chega a quase 623 bilhões de dólares, valor próximo ao PIB somado de Chile e Peru. Dados da Oxfam indicam que esse patrimônio cresceu muito mais rápido do que a economia regional neste século.

Para ampliar a justiça fiscal, analistas defendem reformas que amplia a base tributária, elimine tratamentos favorecidos injustificados e melhorem o cumprimento das regras, sem comprometer o crescimento. O objetivo é tornar os sistemas mais progressivos e eficientes.

A discussão também envolve como evitar desincentivos ao investimento. Pesquisadores apontam que, a longo prazo, ajustes nas alíquotas e na forma de tributar podem, sim, reduzir a desigualdade sem frear a economia.

Em síntese, especialistas destacam que a verdadeira questão não é apenas aumentar a arrecadação, mas tornar o sistema mais justo: quem paga mais, quem recebe menos, e como financiar serviços públicos sem frear o crescimento.

Pontos-chave

  • O que acontece: a estrutura tributária da região é mais dependente de consumo do que de renda ou patrimônio.
  • Quem está envolvido: governos, Oxfam, economistas e institutos de pesquisa.
  • Quando: análise com dados recentes até 2025-2026.
  • Onde: América Latina e Caribe.
  • Por quê: para entender por que a desigualdade persiste mesmo com arrecadação fiscal.

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