Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Agroendividado, setor aguarda socorro federal mesmo com isenções fiscais

Senado aprova acordo para renegociar dívidas de produtores rurais com ajuda federal, estimando custo de 140 bilhões em dez anos e ampliar renúncias fiscais do setor

Vítima de desastres climáticos, agronegócio espera refinanciar suas dívidas com ajuda federal
0:00
Carregando...
0:00
  • O Senado aprovou um acordo para aliviar o caixa de produtores rurais endividados, trocando dívidas antigas por novos empréstimos com juros menores, com financiamento do Fundo Social do Pré-Sal; o custo projetado aos cofres públicos é de cerca de R$ 140 bilhões em dez anos, e o texto segue para a Câmara.
  • O socorro ocorre junto ao Plano Safra, que prevê recursos para o plantio, com juros menores pagos pela União para reduzir a fatura financeira; a diferença é estimada em cerca de R$ 13,5 bilhões por ano.
  • O dinheiro do Plano Safra vem crescendo, principalmente por meio das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), títulos emitidos por bancos para financiar produtores; em 2024/2025 foram R$ 108 bilhões vindos de LCA, subindo a R$ 185 bilhões em 2025/2026.
  • O agronegócio lidera as isenções fiscais no país, com R$ 158,3 bilhões em 2024 (37,7% das renúncias de todos os setores), incluindo ICMS zerado na compra de sementes e agrotóxicos, e isenção de ICMS sobre exportação desde 1996 pela Lei Kandir.
  • O Banco do Brasil enfrenta impactos da crise no campo, com carteira de crédito rural de 406,1 bilhões em 2025 e aumento da inadimplência; a instituição lançou reservas de risco e renegociou dívidas, reduzindo o lucro líquido em 45%.

O Senado aprovou este mês um acordo para refinanciar a dívida de produtores rurais com apoio federal. O objetivo é substituir dívidas antigas por novos empréstimos com juros menores, financiados pelo Fundo Social do Pré-Sal. O custo costuma ficar em torno de 140 bilhões de reais em dez anos. O texto segue para votação na Câmara.

O programa envolve o Plano Safra, que transfere recursos para viabilizar plantios anuais e reduzir taxas cobradas pelos bancos. A União cobre parte da diferença de juros, já que as taxas caiem de cerca de 15% para 8% ao ano para o agricultor familiar e 12% para o agro empresarial. A previsão é de repasse de bilhões anuais.

O volume de recursos do Plano Safra cresce com a inclusão de recursos captados por meio das Letras de Crédito do Agronegócio, as LCAs. Em 2024/2025, 108 bilhões de reais vieram de LCA; em 2025, esse total subiu para 185 bilhões, somando aos 605 bilhões do programa.

Campeão de isenção

Além da ajuda direta ao plantio, o setor lidera o ranking de isenções. Em 2024, a renúncia fiscal chegou a 158,3 bilhões de reais, ou 37,7% do total de 419,9 bilhões deixados de recolher pela economia. Sementes, agroquímicos e exportação basilar entram nesse cálculo.

A renúncia ao produtor rural surpreendeu o governo, que estimava valores menores até 2024. O surgimento do sistema Dirbi mostrou quase 100 bilhões a mais em isenções do que o previsto. A cadeia de insumos agrícolas concentra grande parte desse benefício.

Em 2024, setores como adubos, carnes, defensivos e café somaram 113,48 bilhões de reais, cerca de 27% do total de isenções no país. Isso representa aproximadamente 15,8% de toda a arrecadação da União naquele ano.

Os produtores rurais também contam com alíquotas reduzidas de Previdência Rural. Pessoas físicas pagam 1,63% sobre a venda da produção, pessoas jurídicas, 2,23%.

Socorro de longa data

O Tesouro iniciou grandes socorros rurais em 1995, com a securitização de dívidas para evitar falências após o Plano Collor. Naquele período, houve juros menores e prazos de pagamento amplos.

O perdão de 2008 consolidou os refinanciamentos atuais, com renegociação de 75 bilhões de dívidas atrasadas e alongamento de até 20 anos, acompanhado de descontos para reduzir o tamanho da dívida. Em 2018, houve novo impulso com o perdão de impostos.

O socorro também se estendeu a controvérsias jurídicas envolvendo o Funrural. Depois de decisões do Supremo, o governo estruturou um mecanismo de parcelamento para dilatar pagamentos e reduzir multas e juros acumulados.

Tragédias justificam socorro

Para especialistas, o socorro não é privilégio, mas resposta a riscos climáticos recorrentes como secas e cheias, além de oscilações de preço no mercado internacional. A sustentabilidade do setor depende de instrumentos que atuem frente a esses riscos, conforme avaliações de pesquisadores da área.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil aponta que a inflação de alimentos sobe sem esse suporte, o que impacta o consumidor e o abastecimento. A entidade destacou ainda a necessidade de planejamento financeiro e gestão de risco por parte dos produtores.

Dívidas afetam o Banco do Brasil, principal financiador do setor. A instituição responde por cerca de 60 reais de cada 100 investidos no crédito rural, com carteira de 406,1 bilhões de reais em 2025. A inadimplência do setor elevou a necessidade de reservas e reduziu o lucro líquido, que caiu 45% no período.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais