- O Ibovespa ficou mais dependente do capital externo no primeiro semestre, com o estrangeiro na maior participação do fluxo total e institucionais locais em menor participação.
- O fluxo externo foi volátil, refletindo competição do Brasil com outras geografias; no início de 2026 houve alta por commodities e revisões de lucros levaram parte do dinheiro para fora, incluindo a Coreia.
- Em commodities, o setor segue com ambiente propício, mas Vale e Petrobras aparecem com múltiplos abaixo de pares internacionais.
- Fora de commodities, a queda das ações nos últimos 30 dias chegou a 20%, com o P/L médio de companhias de commodities em torno de 9,7 vezes, inferior à média do terceiro mandato do presidente Lula.
- Mesmo com múltiplo baixo, o fluxo externo não retorna fácil; câmbio e cenário eleitoral dificultam atração de capital, embora existam empresas baratas geradoras de caixa e com alta remuneração de proventos.
A bolsa brasileira está barata, mas isso não garante retorno. O recado é do chefe de análise de ações da Verde Asset Management, Antonio Barreto, em evento da gestora. Ele aponta que o mercado depende cada vez mais de capital externo.
No ano, o estrangeiro atingiu a maior participação no fluxo total, enquanto os institucionais locais recuaram. Barreto enfatiza que esse foi o principal driver de volatilidade no primeiro semestre, e que o Brasil concorre com outras geografias pelo capital mundial.
Conjunto de fatores e cenário atual
No início de 2026, houve interesse por commodities e a bolsa subiu. A revisão de lucros das empresas americanas puxou o fluxo de volta para fora do Brasil, com destino também à Coreia. Esse movimento tirou parte da alta alcançada nos três primeiros meses.
Fora do segmento de commodities, a queda recente chegou a 20% em 30 dias. O múltiplo P/L médio de empresas do setor ficou em 9,7x, abaixo da média do terceiro mandato de Lula. Barreto lembra que isso não significa que a bolsa está cara.
Barreto destaca que, apesar do múltiplo baixo, o fluxo externo continua negativo e não há sinal de retorno imediato de capital ao Brasil. Segundo ele, o Ibovespa não atrai, e o país tem crescimento reduzido em comparação a outras regiões.
Impactos cambiais e oportunidades de renda
Mesmo sem o apelo de empresas de tecnologia, há opções com boa geração de caixa e baixa alavancagem que devolvem capital ao acionista. A visão é de setores que pagam dividendos elevados, ainda que com liquidez menor e maior volatilidade.
O câmbio é fator crítico: em ano eleitoral, o desconforto com o câmbio dificulta a entrada externa. Uma desvalorização de 10% do real pode reduzir o retorno em reais de 14% para cerca de 4%.
Barreto ressalta que o fluxo que chegou no começo do ano ficou concentrado nas grandes companhias, via ETF do Ibovespa. A sugestão é de um ambiente de stock picking, com foco em lucros e proventos.
Entre as ações citadas pela Verde, estão Rede D’Or, Suzano, Equatorial e Copel, apontadas como potenciais de retorno acima da média do Ibovespa. Acompanhar a capacidade dessas empresas de repassar preços é essencial diante de pressões inflacionárias.
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