- Cinco bancos iniciaram cobertura com recomendação de compra para a Compass, com preço-alvo entre R$ 34 e R$ 38, e upside entre 33% e 49% em relação ao preço atual.
- O papel opera próximo de R$ 25,50, após queda de cerca de sete por cento desde o fechamento do IPO, pouco mais de um mês atrás.
- A Edge, a comercializadora de gás da Compass, é apontada como principal driver de crescimento, com o terminal de GNL em São Paulo e ativos de biometano; o mercado avaliaria mal esse negócio segundo os analistas.
- Os bancos destacam a combinação de receitas estáveis, geração de caixa e dividendos, com potencial de valorização caso as estratégias da Edge se cumpram; a doca de GNL e a regulação do setor ajudam a sustentar esse cenário.
- A Compass é dividida em duas unidades, com participação em concessões de distribuição de gás no Sudeste e participação em outras três; a empresa tem valor de mercado de cerca de R$ 17,9 bilhões e controladora Cosan detém 76%.
Cinco bancos iniciaram cobertura sobre a Compass com recomendação de compra, com alvos entre 34 e 38 reais. O upside varia de 33% a 49% frente ao preço de tela, que fica em torno de 25,50 reais.
BTG Pactual e Citi adotaram as metas mais altas, fixando 38 reais. Já o JP Morgan é o mais conservador, em 34 reais, enquanto Bradesco BBI e Itaú BBA trabalham com 37 e 35 reais, respectivamente.
O consenso entre as instituições destaca a combinação de receitas estáveis, geração de caixa e pagamento de dividendos da Compass, com potencial de crescimento via Edge, a comercializadora de gás, e o terminal de GNL em São Paulo. A cobertura pública começou após a Compass concluir seu IPO.
O início de cobertura ocorreu pouco mais de um mês após o IPO, período em que as ações recuaram cerca de 7%. Todos os bancos iniciantes participaram da oferta, encerrando a restrição de cobertura hoje.
Estrutura de negócios da Compass
A Compass opera duas frentes: distribuição de gás, com quatro concessões próprias no Sudeste, e participação em outras três, além da Edge. A empresa também detém ativos de biometano.
Para o BTG Pactual, a Edge representa crescimento significativo, com oportunidades de arbitragem. O analista destaca que o terminal de GNL de São Paulo tem contrato de longo prazo com a Total e capacidade de regaseificação de 14 milhões de m³/dia.
A Edge é vista como motor de expansão da Compass, ao mesmo tempo em que fornece dados de mercado que podem favorecer estratégias comerciais. O analista aponta vantagem competitiva pela infraestrutura de gás restrita no Brasil.
Perspectivas e valuation
No Citi, a Compass apresenta perfil de risco-retorno favorável, com fluxos de caixa regulados pela distribuição e potencial de crescimento no gás natural brasileiro. A TIR real implícita fica em torno de 16%, com um múltiplo de 5,2x o EBITDA projetado para 2026.
O banco aponta que parte do desconto de precificação está relacionado à Edge, estimando que o mercado precifica apenas 20% do valor justo, o que sugere upside caso a execução de estratégias seja conforme o esperado. A dívida líquida/EBITDA fica em 2,2x, mantendo espaço para alavancagem moderada.
O Bradesco BBI reforça a meta de expansão de volumes de comercialização de gás, de 6 milhões para 22 milhões de m³/dia até 2030, com entradas em indústrias, termelétricas e frotas. Riscos citados incluem mudanças regulatórias, concorrência de Petrobras e eventual não renovação de contratos de GNL.
A Compass vale cerca de 17,9 bilhões de reais na bolsa, com a Cosan permanecendo como acionista controladora, detendo 76% da empresa.
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