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Conflitos encarecem fertilizantes, aumentando custos da próxima safra no Paraná

Conflitos no Oriente Médio e Leste Europeu elevam a ureia, pressionando custos de produção e podendo encarecer alimentos no Paraná

Conflitos internacionais pressionam o mercado de fertilizantes e elevam os custos da próxima safra no Paraná. (Foto: Jaelson Lucas/Governo do Paraná)
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  • A escalada dos conflitos no Oriente Médio e no Leste Europeu pode encarecer fertilizantes e elevar os custos da próxima safra no Paraná.
  • O Paraná é um dos maiores produtores do Brasil e responde por 35% da ureia importada; em abril, o preço da ureia ficou 63% acima do nível pré-guerra.
  • Compras de fertilizantes estão em entressafra no Brasil, mas atrasos podem gerar gargalos logísticos e atrasos na entrega de insumos.
  • O sulfato de amônio, alternativa usada pelo setor, já teve alta de cerca de 30% e tende a subir à medida que a oferta global fica pressionada.
  • A Petrobras retomou a ureia na planta de Araucária, em 30 de abril, mas a operação foi interrompida no mesmo dia por um incidente; a expectativa é que três unidades somem cerca de 20% do mercado interno, ainda sem reinício da planta de Araucária.

A escalada dos conflitos no Oriente Médio e no Leste Europeu impacta o agronegócio brasileiro, elevando o custo de fertilizantes e de insumos usados na produção. No Paraná, a pressão se soma a inseguranças de abastecimento global, com reflexos potenciais na próxima safra e nos preços ao consumidor. A região concentra fornecedores relevantes de fertilizantes.

Segundo a CNA, o Paraná depende de fertilizantes para culturas como milho, trigo e café. A ureia responde por boa parte desses insumos, e tensões internacionais mantêm o custo elevado. Em abril, a ureia chegou a ficar 63% acima do patamar anterior à guerra, conforme a StoneX, com recuo recente diante de menor ritmo de compras globais.

Incerteza no mercado

O Brasil enfrenta desaceleração de compras por causa da entressafra, mas especialistas alertam para riscos de atraso no abastecimento. O presidente do Sindiadubos-PR, Aluisio Schwartz, aponta gargalos logísticos com filas em portos e entregas atrasadas caso o país atinja volumes próximos a 50 milhões de toneladas anuais.

Schwartz justifica que o ambiente está incerto e que empresas do setor não têm margem para adiantar compras. Fatores como custo financeiro, espaço em armazéns e o risco de desvalorização do preço influenciam as decisões.

Alternativas e impactos no Paraná

O gerente de operações da Coonagro, Clayton Reckziegel, sustenta a possibilidade de alta adicional na ureia se a oferta global não se normalizar, o que pode comprometer a rentabilidade das próximas safras. A cotação em queda não ocorre na mesma proporção entre grãos e insumos, observa.

Como alternativa, a cooperativa aponta o sulfato de amônio, ainda dependente de importação da China. A StoneX registra alta de cerca de 30% nesse insumo, o que mantém o desafio logístico e financeiro para o setor.

Retomada parcial da ureia no mercado interno

A Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), unidade da Petrobras em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, retomou a produção de ureia em 30 de abril, com capacidade de 720 mil toneladas/ano. A hibernação ocorreu desde 2020, após investimento de cerca de R$ 870 milhões.

Na mesma data, a Ansa interrompeu as operações novamente por um incidente na casa de compressão, sem danos a pessoas ou ao ambiente, e sem previsão de retorno imediato. A Petrobras planeja, no longo prazo, somar a produção da Ansa à de Fafen-BA e Fafen-SE, para ampliar a participação interna no mercado de ureia.

A produção da Ansa representa cerca de 8% do mercado nacional de ureia. A soma com as unidades em Bahia e Sergipe pode reduzir os impactos de conflitos na cadeia de abastecimento para o agronegócio paranaense, desde que as operações voltem a funcionar rapidamente.

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