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Itaú aponta retorno de estrangeiros ao Brasil, sem recomendar subir ações

Itaú aposta na possível volta de investidores estrangeiros ao Brasil, mas não recomenda ampliar participação de ações ante riscos de acordo entre os Estados Unidos e o Irã e juros altos

Thomas Wu, economista-chefe da Itau Asset — Foto: Silvia Zamboni/Valor
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  • O Itaú vê chance de estrangeiros voltarem a investir em ações brasileiras se houver acordo entre EUA e Irã que favoreça a navegação no Estreito de Ormuz, mas não recomenda aumentar a fatia de bolsa na carteira.
  • Os principais riscos apontados são: o acordo pode não se concretizar e as empresas estarem menos saudáveis em meio a juros e inflação altos.
  • O estrategista-chefe Thomas Wu diz que o fluxo mundial pode melhorar, mas, se investidores locais ficarem pessimistas, o efeito líquido para as ações pode ser nulo.
  • Mesmo com avanços recentes, o ambiente econômico mudou e não deve retornar rapidamente ao cenário anterior ao conflito.
  • O Itaú projeta inflação ainda pressionada, cortes da Selic menores que o esperado e juros fechando o ano em torno de 14% ao ano, com o Copom mantendo os próximos passos em aberto.

O Itaú Unibanco mantém uma leitura cautelosa sobre o cenário para ações brasileiras. Mesmo vendo potencial de retorno de investidores estrangeiros caso avance o acordo EUA-Irã, o banco não recomenda aumentar a participação de ações nacionais na carteira.

Entre os freios, o Itaú aponta riscos como a não concretização do acordo, a incerteza sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e a possibilidade de preços de petróleo mais altos. O estrategista-chefe Thomas Wu explicou a posição em coletiva nesta quarta-feira.

Para Wu, há incerteza relevante sobre o efeito de fluxos globais no Brasil. Um fluxo de capitais não implica necessariamente alta na bolsa, lembrou o analista, que vê fatores adicionais pesando sobre o mercado.

O relatório do Itaú também ressalta que os resultados corporativos do primeiro trimestre vieram, em boa medida, abaixo do esperado, com inflação mais alta e Selic com trajetória menor de queda. Isso aumenta a cautela sobre o cenário.

Quanto à política monetária, o banco prevê inflação pressionada e atividade global resiliente. A leitura é de que o Banco Central deverá reduzir menos a Selic do que o esperado, projetando o fim do ano próximo a 14% ao ano. A instituição não anunciou mudanças na recomendação de ações brasileiras.

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