- A partir de quinze de julho, trabalhadores assalariados da Colômbia passam a ter jornada máxima de 42 horas semanais, após redução de seis horas ao longo de cinco anos.
- A mudança veio com aumento do salário mínimo e ampliou o período considerado para pagamento de adicional noturno, sob o governo de Gustavo Petro; empresas passaram a fechar lojas mais cedo e investir em automação.
- Mesmo com elevação de custos por trabalhador, o mercado de trabalho colombiano segue aquecido, com queda histórica da taxa de desemprego e crescimento do emprego no setor privado.
- Levantamento da Fenalco mostra impactos como 51% das empresas fechando mais cedo, 25% acelerando automação e 23% aumentando preços; 64% reduziram o quadro de empregados e 80% revisaram planos de contratação.
- Em comparação, o Brasil discute a redução de quarenta para quarenta e duas horas, com diferenciais de gradualidade e flexibilidade; o Chile já reduziu para quarenta horas no governo de esquerda.
O Brasil acompanha debates sobre jornada de trabalho, mas países vizinhos já implementam mudanças com impacto no mercado de trabalho. Na Colômbia, a semana passou a ter no máximo 42 horas a partir de 15 de julho, após uma trajetória de redução de horas iniciada em 2021.
A reforma efetuada ao longo de cinco anos não tornou obrigatória a folga de dois dias na semana. Junto da redução, houve aumento do salário mínimo e ampliação do pagamento de adicional noturno, sob governo de esquerda. Empreendimentos reportam ajustes como fechamento de lojas mais cedo e mais automação.
Apesar das mudanças, o mercado colombiano continua aquecido. Economista consultado pela BBC News Brasil aponta que custos unitários por trabalhador aumentaram, mas não houve queda relevante no emprego privado; a criação de vagas tem persistido em vários meses.
Diferenças para o Brasil: mais flexibilidade e com escala 6×1
Análise indica que a estabilidade do emprego na Colômbia ocorreu com ajuste gradual, sem obrigatoriedade de folgas fixas. Empresas podem negociar horários flexíveis e escolher o dia de folga semanal, o que ameniza impactos na operação.
Dados de uma avaliação de 787 mil contratações entre 2022 e 2025 sugerem que a redução horária pode estimular novas vagas, embora a produtividade por trabalhador tenha recuado. Setores com horários estendidos foram mais afetados.
Um levantamento da Fenalco envolvendo 610 empresários em 25 cidades indica fechamento de operações noturnas, maior automação e reajustes de preços. Ainda assim, a entidade ressalta que a Colômbia mantém elevada capacidade empreendedora.
O caso chileno
O Chile foi citado para comparar trajetórias: redução de 45 horas para 40 horas entre 2023 e 2028, com transições graduais iniciadas em 2024. Estudos externos avaliam efeitos marginais sobre o emprego, mas apontam melhoria na remuneração por hora.
A mudança chilena é usada para discutir políticas públicas em outros países da região. Autores destacam que ajustes da produção e redistribuição de tarefas ajudaram a evitar demissões maciças durante as transições.
Em contextos internacionais, especialistas ressaltam que reduzir jornada de trabalho pode exigir paciência e planejamento. O consenso é de cautela, acompanhando impactos de custos, contratação e produtividade.
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