- Na Colômbia, a partir de 15 de julho, a jornada máxima passa a ser de 42 horas semanais, fruto de mudanças aprovadas entre 2021 e 2025.
- A legislação não obriga duas folgas semanais; houve ainda aumento de 23,7% no salário mínimo e expansão do pagamento de adicional noturno.
- Empresas recorreram a fechar lojas mais cedo e ampliar a automação para lidar com custos maiores, mesmo com o mercado de trabalho ainda aquecido.
- A produtividade caiu, mas o emprego assalariado do setor privado continua em crescimento; estima-se que 787 mil novos empregos foram criados entre 2022 e 2025 para compensar menos horas.
- Levantamento da Fenalco aponta impactos setoriais: mais da metade fechou mais cedo, houve automação e aumento de preços; 64% reduziram empregados e 80% ajustaram planos de contratação.
O Brasil acompanha debates sobre jornada de trabalho, enquanto a Colômbia implementa mudanças que reduzem horas e elevam salários. A lei prevê 42 horas semanais a partir de 15 de julho, após uma trajetória de redução de 48 para 42 horas.
Empresas colombianas dizem ter fechado lojas mais cedo e acelerado automação. A medida chegou acompanhada de reajuste no salário mínimo e ampliação do cálculo de adicional noturno, com efeito desejado de reforçar renda.
Mesmo assim, o mercado de trabalho colombiano permanece aquecido, com emprego assalariado privado em crescimento há meses, segundo especialistas. Ainda não há estudo definitivo de impacto setorial.
A Corficolombiana aponta que a jornada reduzida estimulou contratações, estimando 787 mil novos trabalhadores entre 2022 e 2025 para compensar menos horas trabalhadas. Produtividade, porém, caiu.
A Fenalco ouviu 610 empresários em 25 cidades. Sessenta e quatro por cento reduziram o quadro de empregados e 80% reviram planos de contratação. Fechar horários estendidos foi comum, especialmente no varejo e hotelaria.
Entre as lições, o gradualismo é destacado. O Brasil discute etapas para chegar a 40 horas semanais, com início em 42 horas após 60 dias e 40 horas um ano depois, seguindo referência colombiana.
A flexibilização colombiana também permitiu acordos para diferenciar dias de folga e não estabeleceu dois descansos obrigatórios por semana, flexibilizando o funcionamento de comércios.
No Chile, reforma de 2023 reduziu de 45 para 40 horas, com transição até 2028. Estudos mostram efeitos pequenos, positivos ou neutros, na criação de vagas, com remuneração por hora mantendo-se estável.
Especialistas ressaltam que reduções de jornada demandam ajustes produtivos e redistribuição de tarefas para evitar demissões em massa, mantendo o peso de custos adicionais sobre empresas.
Em síntese, países da região sinalizam uma tendência global de reduzir jornadas, com impactos que variam conforme a flexibilidade de horários, acordos entre empresas e trabalhadores e medidas compensatórias.
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