- A partir de 15 de julho, na Colômbia trabalhadores assalariados passam a cumprir no máximo 42 horas semanais, após redução de seis horas feitas desde 2021.
- Diferentemente do Brasil, não houve obrigatoriedade de duas folgas na semana; a reforma de 2022–2025, sob Iván Duque e Gustavo Petro, aumentou o salário mínimo em 23,7% e ampliou o período pago do adicional noturno.
- Empresas relatam fechamento mais cedo de lojas e maior automação devido à queda de horas trabalhadas, enquanto o emprego assalariado do setor privado continua a crescer; a Corficolombiana aponta criação de cerca de 787 mil empregos entre 2022 e 2025 para compensar as horas reduzidas, mas produtividade caiu.
- A Fenalco revelou que 51% das empresas fecharam mais cedo, 25% aceleraram a automação e 23% aumentaram preços; setores mais impactados incluem varejo, bares, restaurantes, hotelaria e vigilância.
- Em comparação, há lições sobre gradualidade e flexibilidade; no Chile, redução para 40 horas começa em 2024 e segue até 2028, com impactos inicialmente modestos no mercado de trabalho.
No Brasil, a discussão sobre reduzir a jornada de trabalho segue em pauta, com propostas para avançar de 44 para 40 horas semanais. Enquanto isso, na Colômbia, mudanças já entram em vigor para reduzir as horas trabalhadas.
A partir de 15 de julho, trabalhadores assalariados colombianos passam a ter jornada máxima de 42 horas semanais, após cinco anos de redução gradual que começou em 2021. A medida não tornou obrigatória a segunda folga semanal, ao contrário do que se discute no Brasil.
A redução das horas foi acompanhada pela adoção de medidas flexibilizadoras, como acordos para distribuir as folgas ao longo da semana e permitir que o dia de folga semanal não seja fixo. Além disso, reformulações no salário mínimo e no adicional noturno foram incorporadas no governo de Gustavo Petro, ampliando ganhos.
Empresas reportam impacto misto: aumento de custos por trabalhador e necessidade de adaptar operações. Relatórios indicam fechamento de lojas mais cedo, maior automação de serviços e reajustes de preços em alguns setores, especialmente varejo, bares, restaurantes, hotelaria e vigilância.
Dados de mercado apontam que, apesar do encarecimento, o emprego assalariado do setor privado permanece em trajetória de crescimento há meses. Há relatos de que a redução de jornadas ajudou a gerar novas contratações, com estimativas de centenas de milhares de novos empregos entre 2022 e 2025 para compensar as horas reduzidas.
Entidades empresariais, como a Fenalco, destacam efeitos variados e avaliam que muitos empresários adotaram medidas para reduzir custos operacionais sem frear o crescimento. Um levantamento com 610 empresários, em 25 cidades, mostrou queda na abertura de novas empresas e maior cautela em planos de contratação.
Analistas ressaltam que a Colômbia oferece maior flexibilidade que o Brasil, com transições mais graduais e sem a exigência de dois dias de descanso fixos. Em termos de lições internacionais, a experiência colombiana sugere que a redução gradual, aliada a ajustes de horários, pode mitigar impactos negativos.
No Chile, país vizinho, reformas similares já vinham sendo discutidas desde 2023, com redução de jornada de 45 para 40 horas, em fases entre 2024 e 2028. Estudos de efeitos mostram impactos modestos no mercado de trabalho, com aumento da remuneração por hora sem reduzir salários.
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