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Selic cai; veja quais empréstimos ficaram mais baratos e mais caros

Selic cai para 14,25%, mas cheque especial e crédito pessoal não consignado ficaram mais caros, pressionados pela inadimplência e pelo spread

Selic caiu, mas e os empréstimos? Veja qual linha ficou mais barata e mais cara — Foto: Getty Images
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  • O Banco Central cortou a Selic para 14,25% nesta quarta-feira (17), mas isso ainda não caiu nos juros dos empréstimos para pessoas físicas.
  • Em um ano, dois dos empréstimos mais usados ficaram mais caros: cheque especial subiu de 144% ao ano para 151,5% e crédito pessoal não consignado passou de 74,92% para 87,33%.
  • Por outro lado, dois tipos ficaram mais baratos: aquisição de outros bens caiu de 40,76% para 37,35% e cartão de crédito parcelado, ainda entre os mais caros, recuou de 168,83% para 164,41%.
  • A Selic não é o único fator: o spread bancário, custos operacionais, lucro desejado pelos bancos e impostos também influenciam as taxas cobradas.
  • O aumento das taxas pode estar ligado à piora da inadimplência, com 83,5 milhões de negativados em maio, recorde histórico segundo o Serasa.

O Banco Central reduziu hoje a Selic para 14,25%, marcando mais um corte no ritmo de descompressão da taxa. A mudança, no entanto, não se traduziu em queda igual nos juros cobrados de pessoas físicas. Em doze meses, alguns empréstimos ficaram mais caros.

Um levantamento com dados do BC aponta que dois dos empréstimos mais usados tiveram alta: o cheque especial passou de 144% ao ano para 151,5%, e o crédito pessoal não consignado subiu de 74,92% para 87,33%. Essas linhas aparecem entre as três mais caras avaliadas.

Por outro lado, houve redução em dois tipos de crédito: aquisição de outros bens caiu de 40,76% para 37,35%, e o cartão de crédito parcelado recuou de 168,83% para 164,41%. Os demais itens permaneceram estáveis na comparação anual.

Por que a Selic nem sempre reduz juros

A Selic é apenas parte do custo do dinheiro. O spread bancário, que envolve despesas operacionais, tributos e depósitos obrigatórios, também influencia as taxas cobradas. A Selic responde por cerca de um quarto a um terço das taxas, dependendo do crédito.

Custos operacionais variam entre modalidades, influenciando o preço final do crédito. Além disso, o lucro desejado pelos bancos e a carga tributária afetam diretamente as taxas pagas pelos consumidores.

Segundo Otto Nogami, pesquisador do Insper, a menor Selic pode não reduzir juros se os bancos enxergarem maior risco. Linhas como cheque especial e crédito pessoal não consignado costumam ter maior risco e, portanto, taxas mais elevadas.

Inadimplência amplia cobrança

A inadimplência pode explicar parte do cenário. Em maio, o Brasil registrou recorde de negativados, com 83,5 milhões, conforme o Serasa. Esse patamar eleva o custo do crédito para compensar perdas previstas.

Mercado e perspectiva futura também influenciam. Bancos consideram o que o mercado projeta para juros no longo prazo ao definir as taxas atuais, pesando a decisão de manter spreads elevados.

O que esperar

Mesmo com o corte da Selic, a redução de juros para consumidores pode acontecer de forma gradual e desigual. A inflação ajusta mais rápido que o crédito, e o custo do dinheiro pode demorar a chegar aos empréstimos mais usados.

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