- Governo prevê encerramento gradual de subsídios aos combustíveis se o petróleo se estabilizar em torno de US$ 80 o barril, após sinalização de acordo entre EUA e Irã.
- Secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, disse que os próximos 30 dias serão de observação para entender a consolidação desse cenário.
- Se houver fim da guerra, espera-se melhora nas projeções de inflação e menor pressão sobre juros futuros, abrindo espaço para maior flexibilização monetária.
- As medidas de estímulo a diesel, gasolina, querosene de aviação e gás de cozinha foram adotadas em duas fases, com validade até julho na maioria dos casos.
- Mesmo com alta do petróleo, o real se valorizou ante o dólar, ajudando a conter parte da pressão inflacionária; Brent chegou a fechar próximo de US$ 79,00 o barril.
O Brasil manterá os subsídios aos preços dos combustíveis até que a cotação do petróleo se estabilize em torno de US$ 80 o barril, conforme avalia o governo. A previsão veio do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, em entrevista à Reuters.
Segundo Ceron, o encerramento das medidas depende da consolidação desse patamar no contexto de um acordo sinalizado entre EUA e Irã para o fim do conflito no Oriente Médio. Ele ressaltou que os próximos 30 dias serão de observação.
Caso haja estabilização em US$ 80, a retirada das medidas seria prevista por prudência, afirma o secretário. As ações emergenciais visam atenuar a alta internacional do petróleo desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã.
Cenário do petróleo e vulto das medidas
Desde o início do conflito, o governo lançou reduções tributárias e subvenções para diesel, gasolina, querosene de aviação e gás de cozinha, com vigência prevista até julho e algumas prorrogações. Ceron destaca que o cenário de paz pode ajustar projeções de inflação e juros.
O Brent já recuou para US$ 78,96, após fim de sessão na terça-feira, com notícias de um acordo provisório para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz. O dólar oscila, ajudando a atenuar parte da pressão sobre preços internos.
Fiscal, juros e perspectiva
Ceron afirmou que as projeções de inflação foram impactadas pela guerra no Irã, refutando que as medidas de estímulo adotadas pelo governo sejam as únicas responsáveis pelo controle da inflação. Ele prevê maior espaço para a política monetária caso o petróleo se estabilize.
O secretário mencionou ainda que a Fazenda mantém a previsão de crescimento do PIB entre 2,0% e 2,5% neste ano, com foco na estabilidade fiscal. Ele citou a possibilidade de nova emissão de títulos soberanos e a proximidade de anúncios com a China, sem detalhar.
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